MP pede anulação de júri que inocentou policiais militares

Mariana Ohde


Com Lucian Pichetti, CBN Curitiba

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) entrou na Justiça com um recurso contra o resultado do julgamento que absolveu 13 policiais militares acusados de matar cinco suspeitos de roubar um carro, em Curitiba.

Os policiais foram a júri popular no começo de outubro. Depois de seis dias, os jurados decidiram absolvê-los, por maioria dos votos.

Um dos motivos alegados pela promotoria para o recurso é de que, na visão do MP-PR, os jurados foram pressionados durante o julgamento para decidirem a favor dos policiais. A pressão teria vindo das cadeiras do tribunal. Conforme os promotores, durante os dias do júri, vários colegas dos acusados foram ao tribunal fardados, o que pode ter intimidado alguns dos participantes.

O advogado de defesa dos policiais, Cláudio Dalledone Júnior, afirma que o recurso foi construído em argumentos falaciosos.

“No dia em que um argumento pueril como este for o suficiente para anular um julgamento de seis dias, um julgamento que foi fiscalizado por uma juíza de direito, que foi dado a três promotorias (…), o dia em que uma Corte de Justiça anular um julgamento desses, envolvendo 13 PMs julgados, a morte de cinco bandidos, causando toda aquela comoção, estaremos em um país em vias de dissolução por faltar duas qualidades básicas: moralidade e justiça”.

De acordo com o advogado, é de praxe o Ministério Público recorrer. “Isso é corriqueiro do Ministério Público, se aliar a famílias de vítimas, instruir para que vão ao Plenário com camisetas, fazer com que se levantem. Para eles, vale tudo”. Dalledone disse que, diante do “revez”, o MP-PR pede, de forma “infantil” a anulação do julgamento.

O advogado acredita que o recurso não vai ser atendido pela Justiça. “A falta de peso, de argumentos, de substrato fático e jurídico nesse recurso do Ministério Público vai fazer com que ele perca por completo, como já foi perdido, essa acusação, essa proposta de condenação dos policiais acusados”, afirma.

Caso

As mortes aconteceram em 11 de setembro de 2009. Os policiais envolvidos afirmaram que viram um carro furtado e iniciaram uma perseguição pelo bairro Alto da Glória. O carro acabou batendo no divisor da pista e os ocupantes teriam desembarcado atirando.

Na troca de tiros, dois dos rapazes teriam sido baleados e os outros correram para um terreno próximo. Neste local, teria havido novo confronto e todos os jovens acabaram baleados.

Davi Leite de Freitas, Josemar Bernardo, Thobias Rosa Lima, Salatiel Aarão Rosa Lima e Éderson Miranda foram encaminhados pelos próprios policiais ao Hospital Cajuru e teriam morrido no caminho.

Entretanto, investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), na época, apontam que os cinco jovens foram dominados pelos policiais no momento da abordagem e posteriormente levados até o bairro Atuba, onde teriam sido executados.

As viaturas foram flagradas por um radar da Urbs passando juntas em direção ao Atuba. Essas viaturas contavam com um sistema de monitoramento GPS e o trajeto percorrido por elas ficou registrado, confirmando a saída do Alto da Glória até o Atuba, onde permaneceram por cerca de seis minutos, para somente então se deslocarem ao Hospital Cajuru.

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal