Bombeiro acusado de matar nove pessoas pede indenização ao Estado

Francielly Azevedo


Por Lucian Pichetti – CBN Curitiba

O coronel Jorge Luiz Martins, ex-comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, entrou na Justiça contra o Governo do Estado. Isso porque ele foi inocentado de matar nove pessoas em 2011. “Uma investigação equivocada”. É assim que o advogado de defesa do coronel  define o trabalho da Polícia Civil no caso.

De acordo com a polícia, Martins teria encomendado a morte das vítimas a quatro policiais, após a soltura de outro homem, que foi acusado de matar o filho do coronel, em 2009, durante um assalto. As investigações apontavam que o motivo seria vingança. Desde o início do processo Martins negou a participação no crime.

Em setembro de 2016, durante o julgamento, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) decidiu pedir a absolvição do ex-comandante do Corpo de Bombeiros, por falta de provas.

De acordo com a promotoria, a coincidência física do militar com um dos quatro policiais acusados de terem cometido o crime pode ter feito as testemunhas se confundirem e alegarem que Martins participou efetivamente da execução.

De acordo com o advogado Luiz Fernando Delazari, ficou claro que o Coronel é inocente. “Foi feito o reconhecimento em que foi considerado absolutamente ilegal, reconhecimento direcionado, isso foi reconhecido pelo Ministério Público e diversas outras provas foram colhidas nos autos do inquérito, posteriormente a essa primeira fase da investigação que provaram amplamente a sua inocência”, ressalta.

Segundo Delazari o que o coronel quer é que o Estado pague pelo erro que cometeu. “Eu acho que esse erro do Estado é muito sério e o melhor que o Estado tem a fazer agora é reparar esse erro. E a forma de reparar é indenizando o oronel Jorge por tudo o que ele passou. Isso não vai trazer nem o seu filho que foi brutalmente assassinado, nem o seu pai que veio a falecer durante o processo de investigação absolutamente ilegal e equivocado. Mas acredito que é a uma forma do Estado reparar o erro que cometeu através de alguns irresponsáveis integrantes da Polícia Civil que mancharam a sua honra”, destaca.

Outro motivo que levou a defesa a pedir indenização ao Estado foi a prisão do Coronel. “Ficou quase 20 dias preso injustamente, isso também não tem preço, não há como recuperar o tempo perdido de uma prisão injusta. Ele foi de fato acusado de forma bastante leviana, uma investigação muito equivocada. As razões para as quais alegaram que ele pudesse ter cometido esse crime são simplórias inclusive, não tem nenhuma relação com a realidade e o instrumento que existe para que o Estado repare isso é a indenização”, garante.

O coronel Jorge Luiz Martins foi absolvido mas o processo segue em andamento. Os outros quatro policiais acusados de participação no crime ainda respondem pelo caso. Eles vão a júri popular, ainda sem data marcada.

Em nota, o governo do Paraná e a Polícia Civil informaram que a investigação foi baseada em depoimentos de testemunhas, análise de imagens e demais indícios e que é de interesse da polícia a transparência em busca da verdade.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.