Energia limpa já é realidade em Curitiba

Mariana Ohde

A geração de energia limpa já é realidade em Curitiba e, em 2019, ela deve estar cada vez mais presente na vida dos curitibanos. Por meio de projetos, como o Cohab Solar ou o Curitiba Mais Energia, a população e o poder público estão economizando, sem perder em qualidade de serviços, e ajudando a preservar o meio ambiente.

Os projetos voltados à geração de energia limpa fazem parte do Vale do Pinhão, movimento que agrega as ações que consolidaram a capital como uma cidade inteligente – título reconhecido em setembro, quando Curitiba ultrapassou São Paulo no ranking elaborado pela Connected Smart Cities, que avalia o desempenho de mais de 700 municípios em áreas como inovação, sustentabilidade e qualidade nos serviços oferecidos para a população.

Várias ideias na área de energia limpa receberam reconhecimento nacional e internacional neste ano. E já existem planos para 2019.

Energia solar


O programa Curitiba Mais Energia é um dos exemplos dessas iniciativas. Dentro dele, está o projeto Caximba Solar, que prevê a instalação de painéis solares no Aterro do Caximba e em outros locais.

Os painéis permitem o aproveitamento da energia fotovoltaica, produzida a partir da luz do sol. As placas são compostas de vidro e silício. Elas captam a radiação solar e enviam para um conversor, que vai transformar a luz solar em energia elétrica para uso doméstico. A usina será combinada com o aproveitamento do gás metano originário do aterro, segundo a prefeitura.

Com o projeto Caximba Solar, a cidade foi selecionada, em novembro, do C40 Cities Finance Facility, entidade internacional que facilita o acesso a financiamento para projetos de mitigação de mudanças climáticas em áreas urbanas. O projeto curitibano foi um dos nove escolhidos entre 120 concorrentes e receberá US$ 1 milhão para ser viabilizado.

Usina fotovoltaica será implantada no Caximba. Ilustração: Divulgação

O plano foi apresentado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente durante missão técnica do C40, em agosto. O projeto deve ser o ponto de partida para a instalação de painéis em outros edifícios públicos e pontos de ônibus em Curitiba.

O programa Curitiba Mais Energia já prevê a instalação de painéis no Palácio 29 de Março por meio de uma chamada pública da Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel), que oferta recursos de um programa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Também devem ser instalados os equipamentos na Pequena Central Hidrelétrica no Parque Barigui, uma doação da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas (Abrapch).

Mas não são apenas os espaços públicos que serão beneficiados. A energia solar já faz parte, também, do dia a dia dos curitibanos. Desde abril, placas fotovoltaicas instaladas em 26 casas do Moradias Faxinal, no Santa Cândida, estão gerando economia para os moradores. A redução nas contas ultrapassa os 80%, segundo a prefeitura. As placas são parte do programa Cohab Solar.

As placas fotovoltaicas reduziram a conta de luz dos moradores. Foto: Rafael Silva

Cada moradia recebeu, no telhado, quatro placas que formam um painel de 2 metros por 1 metro. Com a conclusão desta primeira etapa, a equipe técnica da Cohab está aplicando um questionário junto aos moradores para avaliar o desempenho do equipamento.

Segundo a Cohab, este acompanhamento será feito por seis meses, para monitorar possíveis variações no funcionamento das placas. Com base nas conclusões, após este período, será estudada a instalação do sistema em outros conjuntos.

Recursos renováveis

Energias alternativas e limpas também representam incremento para a economia da capital. Em novembro, a startup curitibana Metha começou a colocar em prática outro projeto inovador: uma micro central hidrelétrica (MCH), equipamento capaz de produzir energia elétrica a partir de pequenos pontos de disponibilidade de água – como nascentes ou riachos. Não é necessário represar a água, por isso, os impactos ambientais são ainda menores.

“Quando resolvemos atuar na área de energia limpa, buscamos estudar sobre energia fotovoltaica e eólica mas, já naquela época, vimos que já existiam vários projetos e empresas trabalhando com estas soluções”, explica o engenheiro Felipe Wotecoski.

“Foi então que, em uma reunião qualquer, surgiu a pergunta: por que não gerar energia limpa, em pequena escala, com o recurso natural mais abundante no Brasil, a água? E foi para responder esta pergunta que criamos a MCH”, conta.

A MCH pode ser instalada até em pequenos córregos. Foto: Divulgação

O projeto também foi desenvolvido no Vale do Pinhão e promete reduzir as contas de luz dos proprietários.

“Desde a criação do Vale do Pinhão, temos visto como o ecossistema de inovação na cidade melhorou. Participamos do primeiro evento de Startups do Vale, o Conecta Engenho no início de 2017. E, de lá pra cá, participamos de várias outras iniciativas da prefeitura para fomento de startups”, comemora.

Com a MCH, a Metha foi a única empresa do Paraná selecionada no programa Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa (Finep) para receber R$ 1 milhão. O valor será usado para a instalação da linha de montagem e seleção de distribuidores do equipamento.

Felipe Wotecoski, um dos sócios fundadores da Metha. Foto: Divulgação

A MCH já foi aprovada pela Copel, que libera a ligação à rede elétrica. O equipamento também atende as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Hoje, ele já está em funcionamento em três propriedades rurais, em Colombo, Antonina e Sorocaba (SP), além da sede da Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Cocamar). O primeiro lote de equipamentos fabricado, segundo Felipe, já foi integralmente vendido.

“Hoje, estamos finalizando uma etapa muito importante junto ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), buscando comprovar o baixíssimo impacto ambiental do equipamento e os benefícios sociais e econômicos que ele pode trazer, principalmente em regiões remotas onde a concessionária não consegue entregar energia elétrica”, conta. “Tão logo esta etapa seja concluída, lançaremos o produto em um evento no Vale do Pinhão”.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal
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