Novo resgate alerta para insegurança em prisões paranaenses

Metro Jornal Curitiba


O resgate de 29 presos da PEP I (Penitenciária Estadual de Piraquara), na semana passada, expôs mais uma vez a fragilidade do sistema penitenciário no Paraná. Em uma ação coordenada, criminosos incendiaram veículos para dificultar o acesso da polícia, atacaram carros-fortes na região central do estado para desviar a atenção das forças de segurança, e explodiram parte do muro da unidade.

Foi a segunda vez que um grupo ligado à facção PCC (Primeiro Comando da Capital) utilizou explosivos para resgatar detentos da PEP I: em janeiro do ano passado, 26 fugiram após um motim, seguido de uma explosão, e dois morreram.

Os fugitivos foram escoltados por cerca de 15 homens fortemente armados. O caso está sendo investigado pelo Cope (Centro de Operações Policiais Especiais), da Polícia Civil, que na semana passada prendeu quatro suspeitos (três homens e uma mulher) em Pinhais, na região metropolitana. O delegado Rodrigo Brown acredita que os quatro são responsáveis pela parte financeira do PCC na região de Curitiba.

Segundo o presidente do Sindarspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná), Ricardo Carvalho, há vários problemas de segurança no Complexo de Piraquara, que além da PEP I tem mais sete unidades prisionais.

Além da falta de efetivo de agentes penitenciários e policiais militares (veja abaixo), as unidades ficam perto de regiões pouco vigiadas. “O complexo fica de costas para a BR, qualquer um pode entrar pelo mato, sem nenhum controle”, disse Carvalho. “O estado devia fazer uma revitalização na região e reforçar as guaritas”.

O secretário especial de Administração Penitenciária do Paraná, Élio de Oliveira Manoel, confirmou que líderes do PCC foram resgatados na ação da terça-feira passada. “Várias lideranças de facções ficam na PEP I. São lideranças faccionadas, por isso estão segregados”, afirmou. “Todos os que fugiram têm ligação de alguma forma com o crime organizado”.

O Complexo de Piraquara tem cerca de 7 mil detentos nas oito unidades, de acordo com o Sindarpen. Só na PEP I, são 1.750. É a unidade com mais presos pertencentes a facções criminosas no Paraná.

Agente temporário ajuda

Entre os quatro suspeitos de pertencerem à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) presos na semana passada, um é agente temporário, contratado pelo sistema de PSS (Processo Seletivo Simplificado), sem passar por concurso público.

Os policiais suspeitam que ele passou informações sobre a unidade para os criminosos. “Temos fortes suspeitas que essas pessoas tinham informações privilegiadas e tinham a colaboração de um agente da cadeia”, disse o delegado do Cope Rodrigo Brown. “Não são os agentes penitenciários, e sim essas pessoas temporárias, que têm um prazo certo de trabalho”.

O presidente do Sindarspen (Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná), Ricardo Carvalho, defende a contratação por meio de concurso público, mas avalia que os agentes temporários não podem ser responsabilizados por falhas na segurança.

“Os temporários acabam ficando expostos como agentes penitenciários. O estado não dá treinamento e quando eles estão aprendendo são mandados embora”, disse o presidente do Sindarspen, Ricardo Carvalho.

Com o agente temporário os policiais do Cope apreenderam um veículo Porsche de alto valor. Outro veículo, uma Blazer, foi localizado perto da PEP I, atolado. De acordo com Rodrigo Brown, o veículo foi flagrado por câmeras de segurança de um posto de gasolina, onde foi carregado com vários galões de combustível.

A suspeita é que o combustível tenha sido usado para incendiar veículos nas rodovias próximas da PEP I. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, foram incendiados cinco caminhões e dois carros. Na casa onde os quatro foram pesos, em Pinhais, foram apreendidos seis carros, 550g de cocaína, 60 gramas de maconha, 2,3 kg de crack, uma pistola irregular, coletes balísticos, uma balança de precisão e anotações sobre o tráfico.

Armamento de guerra

Policiais militares encontraram cerca de 400 cartuchos de projéteis de fuzil perto da PEP I (Penitenciária Estadual de Piraquara) após o resgate de 29 presos na terça-feira da semana passada. Eles são de fuzis calibre 556 e 762, utilizados em guerras.

“A gente não pode considerar isso uma fuga”, disse o secretário de Administração Penitenciária do Paraná, Élio de Oliveira Manoel.

“Não é uma ação que se planeja de uma hora para a outra. Estamos lidando, e isso não pode ser empurrado para baixo do tapete, com o crime organizado”. O Sindarspen avalia que, além de agentes, faltam policiais militares no Complexo de Piraquara.

“As unidades são muitos distantes, demora para se deslocar”, afirmou o presidente do sindicato, Ricardo Carvalho. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e o Depen- -PR (Departamento Penitenciário do Paraná) não se manifestaram sobre os problemas apontados pelo Sindarspen. Dos 29 detentos que fugiram, quatro foram recapturados.

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