Defesa pede exumação do corpo de engenheiro oito meses após assassinato

A defesa do empresário Antônio Humia Dorrio, acusado de matar o engenheiro Douglas Regis Junkes, pediu a exumação do cor..

Redação - 16 de janeiro de 2019, 08:57

Foto: Reprodução/Facebook
Foto: Reprodução/Facebook

A defesa do empresário Antônio Humia Dorrio, acusado de matar o engenheiro Douglas Regis Junkes, pediu a exumação do corpo, oito meses após o crime. Douglas foi assassinado durante uma discussão entre vizinhos a respeito de som alto, no dia 20 de maio de 2018, no bairro Juvevê, em Curitiba.

Após a primeira audiência da fase de instrução e julgamento do caso, segundo a defesa de Antônio, foram encontradas "contradições" nas perícias realizadas no local da morte. Com o pedido de exumação, protocolado no final da tarde de ontem (14), a defesa apresentou um parecer técnico produzido por um médico legista, que aponta as supostas contradições dos laudos do ponto de vista forense.

De acordo com o advogado de defesa de Antônio, Adriano Bretas, os laudos do Instituto de Criminalística e do Instituto Médico Legal do Paraná divergem quanto ao número de disparos que atingiram o corpo de Douglas durante a briga.

Para o Instituto de Criminalística, Douglas foi atingido por quatro disparos. Já o Instituto Médico Legal indicou cinco tiros, um deles na testa da vítima.

“Não estamos tratando aqui de simples contradições que são naturais entre os laudos. Estamos falando de um médico legista do IML falando em cinco tiros enquanto o perito que esteve no local do crime fala em quatro disparos, conforme análise de local”, explicou Bretas.

Ainda segundo o advogado, o suposto tiro na testa chamou a atenção. “Não existe, não é visível, não se identifica o ferimento no local indicado, não há orifício de entrada da bala na testa. Se fosse o caso, certamente as fotos revelariam, mas não o fizeram”, apontou o defensor.

No laudo do IML também haveria dúvida em relação ao número de estojos (cartuchos). “Se de fato estivéssemos falando em cinco disparos, existiriam cinco estojos deflagrados e armazenados no tambor da arma. No entanto, o que a perícia recolheu dentro da arma foram quatro estojos. Onde está este quinto estojo?”, questiona.

A defesa ainda aponta que o Instituo Médico Legal e Instituto de Criminalística também divergiram quanto às evidências encontradas no corpo. No local da morte, a perícia constatou uma perfuração em região abaixo do olho direito da vítima, conforme foto juntada aos laudos. Porém, o IML e Criminalística apontaram o ferimento como sendo na região abaixo do olho esquerdo do engenheiro.

“Aparentemente, estamos diante de uma sucessão de erros que podem comprometer todo o processo que investiga este fato. Por este motivo, pedimos junto à justiça, que seja feita a exumação do corpo. Somente assim será possível confirmar, por exemplo, se a vítima foi ferida por um disparo na cabeça. Se isso de fato ocorreu, a evidência estará lá”, conclui Bretas.