Trabalhadores realizam mobilizações contra a reforma da Previdência

Mariana Ohde


Com BandNews Curitiba e CBN Curitiba

Diversas categorias de trabalhadores realizam, nesta segunda-feira (19), uma série de mobilizações contra a reforma da Previdência – a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), do governo federal, saiu da pauta da Câmara dos Deputados na última semana por causa da intervenção no Rio de Janeiro.

Em Curitiba, a partir das 8h, uma concentração foi realizada na esquina da Rua João Negrão com a Marechal Deodoro. De lá, segundo a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, os trabalhadores seguiram para a prédio do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na Praça Santos Andrade. A maioria dos manifestantes são representantes dos bancários, vigilantes, professores e petroleiros.

Ainda na capital, uma aula pública sobre a Reforma da Previdência será realizada às 11h na Boca Maldita. As 14h, deve haver panfletagem e manifestação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

O movimento não convocou o bloqueio de estradas. Segundo os trabalhadores, nenhum serviço deve ser afetado, pois as mobilizações são pontuais. Bancos não foram fechados e os petroleiros pararam por algumas horas, durante a manhã.

Luiz Fernando Rodrgues, membro da CUT, diz que a mobilização também acontece no interior. “Em Maringá há paralisação dos servidores municipais no INSS, no centro da cidade. Em outros municípios do interior também estão acontecendo atos – Londrina, Cascavel – para conscientizar a população sobre essa reforma”, explica.

“Não aceitamos essa reforma, ela não foi debatida com a população brasileira. O rombo que o governo apresenta não reflete a realidade do caixa da Previdência. O governo está se atendo à demanda dos empresários e não dialoga com os trabalhadores”, afirma.

“Não podemos pensar em outra coisa. A mobilização está crescendo em todo o Brasil. Em São Paulo, por exemplo, os motoristas de ônibus já anunciaram que vão cruzar os braços. Precisamos colocar, definitivamente, um fim nesse projeto que significaria o fim da aposentadoria”, avalia a presidente da CUT Paraná, Regina Cruz.

Volta às aulas

A APP-Sindicato também convocou os professores para a mobilização. A adesão é voluntária. No Paraná, cerca de 1 milhão de alunos voltam às aulas hoje, em 2.148 escolas da rede estadual de ensino. Só em Curitiba são 163 colégios com quase 152 mil estudantes.

O governo do Paraná espera baixa adesão ao movimento e orienta os pais a levarem seus filhos normalmente para a escola. Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed), professores que não aparecerem em sala de aula, sem justificativa, terão a falta lançada e os salários descontados. A secretaria realiza um levantamento das atividades nas escolas, que deve ser divulgado mais tarde.

Em Curitiba, o Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal (Sismmac) informou, por meio das redes sociais, que vai aderir ao ato da Greve Geral contra a reforma. Porém, a prefeitura confirmou que está tudo pronto e organizado para receber os alunos. A orientação é para que os pais levem as crianças para as instituições de ensino normalmente.

Na capital 141 mil estudantes voltam às aulas nesta segunda-feira, de acordo com a prefeitura. As atividades recomeçam em 185 escolas municipais, 208 Centros Municipais de Educação Infantil e 75 Centros de Educação Infantil (CEIs).

Protesto em Arapongas

Em arapongas, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram um protesto na praça de pedágio. Segundo informações da organização, são cerca de mil pessoas. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que o grupo é composto por 300 integrantes do movimento.

Foto: PRF
Foto: PRF

As cancelas do pedágio foram liberadas para passagem dos veículos sem pagamento da tarifa. Segundo a PRF, a previsão é a de que a manifestação seja finalizada ao meio-dia. Não houve nenhum confronto e equipes da PRF estão no local.

Discussão adiada

O governo federal pretendia votar a reforma da Previdência nesta segunda-feira, porém, a Constituição não pode ser alterada em caso de intervenção federal – como a que acontece no Rio de Janeiro -, de estado de defesa ou de sítio.

A intervenção será votada pelo Congresso neste início de semana, segundo projeções do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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