Em Curitiba, 60% dos alunos do ensino fundamental já sofreram bullying

BandNews FM Curitiba

Os dados são de um levantamento feito pelo grupo de pesquisa Interagir, da UFPR.

Quase 60% dos alunos da rede fundamental de ensino de Curitiba já sofreram bullying dentro da escola. Outros 36% foram vítimas de agressões na internet. Os dados são de um levantamento feito pelo grupo de pesquisa Interagir, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

O bullying se refere a comportamentos em diversos níveis de violência, que vão desde chateações inoportunas ou hostis até agressões. Os ataques podem ser verbais e não verbais, intencionais ou repetidos e sem motivação aparente. Além disso, a intimidação pode ser provocada por um ou mais estudantes em relação a outros, causando dor, angústia, exclusão, humilhação e discriminação.

De acordo com a pedagoga Ângela Christianne de Mendonça, que trabalha na área da Criança, do Adolescente e da Educação do Ministério Público, o bullying costuma acontece de formas diferentes entre meninos e meninas. “O bullying praticado por meninos é muito mais voltado a questões físicas e patrimoniais e o bullying entre meninas envolve mais fofoca, constrangimento pelo distanciamento, isolamento”, explica.

A pedagoga afirma que a intimidação pode acontecer em qualquer ambiente entre crianças, jovens e adultos. No entanto, o ambiente escolar, segundo ela, é o que mais tem registros de casos, pois é onde crianças e adolescentes costumam passar mais tempo. “São 200 dias letivos, ou 800 horas no ano. Então é um espaço onde essas questões se revelam. O que é importante destacar é que não somente a vítima, mas também aquele que pratica o bullying precisa de cuidados, de intervenção”, ressalta.

No geral, as vítimas de bullying não costumam relatar os casos à família e aos professores, já que não acreditam que os adultos possam resolver o problema. Por isso, a pedagoga diz que é importante prestar atenção em pequenos sinais que possam indicar que as crianças ou adolescentes estão sofrendo com o problema.

Medidas

O problema se tornou tão grave entre crianças e adolescentes que, em 2015, foi criado um programa nacional de combate à intimidação sistemática. Foi também editada uma lei específica, a Lei 12.185/2015, que instituiu o modo como deve ser prevenido e combatido o bullying.

Porém, para especialistas, as ações pontuais, como palestras, não são o suficiente para combater o bullying nas escolas. O caminho apontado por eles está na formação continuada dos professores e na adoção de políticas de prevenção e conscientização que façam parte do cotidiano da escola.

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