Primeiro grupo de imigrantes venezuelanos chega ao Paraná

Mariana Ohde e Thaissa Martiniuk - Bandnews FM Curitiba


O Paraná recebeu, ontem (30), o primeiro grupo de venezuelanos trazidos pelo governo federal em um esforço para interiorizar o fluxo de imigrantes que chegam ao país, fugindo da crise política e econômica na Venezuela.

Também nesta quinta-feira, outros quatro venezuelanos foram levados para Brasília e 27 foram para o Rio de Janeiro. Ao todo, 91 venezuelanos deixaram Roraima ontem. Com essas transferências, 278 venezuelanos já foram retirados do estado nesta semana e 1.098 desde abril, quando começou o programa de interiorização.

O grupo que veio ao Paraná, de 60 pessoas, desembarcou no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, no final do dia. Eles vieram em uma avão da Força Aérea Brasileira (FAB).

Foto: Comando da 5ª Região Militar

Após o jantar, seguiram de ônibus até seu destino final: a cidade de Goioerê, Noroeste do Paraná. Os venezuelanos serão alojados nas Aldeias SOS Brasil, uma ONG que ajuda famílias e crianças carentes.

A vinda das 16 famílias foi acertada num acordo entre o Governo Federal, a Organização Humanitária Global Aldeias Infantis SOS Brasil e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), um braço da ONU que trabalha especificamente com refugiados.

Os venezuelanos que aceitaram participar da interiorização foram vacinados, submetidos a exames de saúde e regularizados no Brasil, com CPF e Carteira de Trabalho.

Recepção

De acordo com o Sérgio Marques, sub-gestor nacional da organização, eles serão abrigados em uma chácara mantida pelo projeto que conta com seis residências. Cada casa receberá duas famílias. O tempo de estadia deve ser de seis meses, em um primeiro momento.

“Eles vão ficar em seis casas-lares”, explica. “Eles vão receber todo apoio necessário para que consigam acessar o mercado de trabalho, oficinas de língua portuguesa, para que aprendem o idioma mais rapidamente, e todo acompanhamento de saúde, educação, assistência social, para que eles possam, rapidamente, se integrar à sociedade”.

É a primeira vez que a cidade, de quase 30 mil habitantes, vai receber um fluxo migratório como esse. De acordo com o sub-gestor da Aldeia SOS, representantes da prefeitura tomaram medidas para orientar a população quanto à recepção dos imigrantes. “A prefeitura de Goioerê está nos apoiando e disponibilizando todos serviços públicos e equipamentos do município para apoiar a estadia dos venezuelanos aqui. A população está muito mobilizada, estamos recebendo doações, palavras de apoio e incentivo. Está se formando uma corrente muito positiva aqui para recebê-los”.

Depois de três meses, os venezuelanos passam por uma avaliação para identificar se estão em condições de ter uma vida autônoma. Após esse prazo, eles podem permanecer no município, seguir para outra cidade ou retornar ao país de origem.

“Eles têm trânsito livre, estão com a documentação e protocolo de refúgio, com CPF, Carteira de Trabalho. Eles não têm obrigação de permanecer aqui. Aqui é um ponto de acolhimento, de apoio. Se eles optarem por retornar ao seu país ou ir para outras cidades, eles têm toda liberdade para isso”, explica.

A expectativa da Casa Civil da Presidência da República é interiorizar outros 700 venezuelanos ainda em setembro. Serão disponibilizados de três a quatro voos por semana para transportar os refugiados. O governo ainda não informou para quais cidades esses imigrantes serão levados.

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Repórter no Paraná Portal
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