Abastecimento de combustíveis deve voltar ao normal em uma semana em Curitiba

Metro Jornal Curitiba e BandNews FM Curitiba

Uma liminar da Justiça e um acordo com o governo estadual devem garantir o abastecimento.

Uma liminar obtida a pedido do Sindicombustíveis (Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná) e um acordo anunciado após reunião com a governadora Cida Borghetti (PP) resultaram, ontem (28), no retorno da distribuição de gasolina em Curitiba.

Já no final da manhã, os primeiros caminhões começaram a sair da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas) em Araucária. Foram 20 veículos levando cerca de 800 mil litros de combustível. Como o consumo diário da capital é de 1,8 milhão de litros, a normalização do abastecimento é esperada apenas para daqui uma semana, segundo o Sindicombustíveis.

De acordo com o Sindicombustíveis, 97 dos 340 postos de Curitiba já haviam recebido combustível até às 11 horas desta terça-feira (29). O preço variou entre R$ 4,20 e R$ 5,00,  segundo os dados do aplicativo do governo Menor Preço, que registra notas fiscais emitidas.

Todos os caminhões-tanque saem da Repar estão escoltados pela Polícia Militar (PM). Segundo o coronel Péricles de Matos, comandante do 1º Comando Regional, a operação não tem prazo para acabar e continuaria até a madrugada de hoje. “Apesar de ainda precário, o abastecimento servirá para o dia a dia da cidade”, disse.

Pela tarde, depois que os caminhões já circulavam, a governadora Cida Borghetti (PP) anunciou um acordo com caminhoneiros, que aceitaram liberar o transporte de combustíveis e de gás de cozinha em todo o Paraná. Em troca, o pedágio sobre os eixos suspensos deixa de ser cobrado.

Plínio Dias, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de São José dos Pinhais e secretário geral da Fenacam (Federação Nacional dos Transportadores) confirmou a liberação, mas disse que a greve será mantida para pedir a redução de 30% do preço da gasolina.

Transporte do combustível 

As escoltas de caminhões para abastecimento de postos de combustíveis e reservatórios de serviços especiais estão mantidas por tempo indeterminado. Até as 7h da manhã de hoje (29), 178 caminhões haviam sido carregados na central de distribuição da Repar.

Ontem à noite, as cargas saíram em 8 comboios do terminal, escoltadas por equipes do Bope, o Batalhão de Operações Policiais Especiais, da PM. Três comboios foram para aeroportos e cinco para postos de abastecimento e serviços, com 2,8 milhões de litros de combustível. As cargas seguiram tanto para a Região Metropolitana de Curitiba quanto para o litoral do Paraná e cidades de Santa Catarina.

Um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também acompanhou a ação. Ainda na madrugada de segunda-feira (28), sete caminhões deixaram os terminais carregados de combustível de aviação. O destino foram cidades catarinenses como Florianópolis, Joinville e Navegantes.

Também nesta segunda-feira, seis caminhões seguiram para o aeroporto internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Dentro da central de distribuição, a PM trabalha no planejamento da escolta aos caminhões que deixam a região da refinaria.

Os impactos da paralisação ainda não foram calculados, mas, para se ter uma ideia, em dias normais, 600 caminhões deixam a central de distribuição da Repar, com 22 milhões de litros de combustíveis para postos e 1 milhão de litros de querosene para aviação. Durante esses oito dias de paralisação dos caminhoneiros, foram entregues apenas 1 milhão de litros para postos de serviços e 2 milhões de litros de combustível para aviões, o equivalente a apenas dois dias de trabalho no terminal.

O superintendente da empresa que administra o terminal, Carlos Roque, acredita que o serviço deve ser normalizado em breve. “Até os postos recuperarem os estoques originais talvez seja isso que o sindicato está falando”, diz, se referindo ao prazo de uma semana. “Mas eu creio fortemente que a partir de amanhã a população de Curitiba e região metropolitana já vai sentir o impacto da gasolina no posto, talvez com um volume mais baixo, mas estamos fazendo todos os esforços para conseguir entregar em todas as regiões”.

O dia

Os curitibanos continuaram nas filas e alguns foram vistos com até oito galões no porta-malas. Além do risco de causar incêndios e explosões, quem revender gasolina pode ser multado ou até preso por crime contra a ordem econômica (lei federal 8.176/91), segundo alerta da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Nas rodovias ontem existiam 256 pontos de protesto no PR: 84 nas federais e 172 estaduais. O número é bem parecido com o da última sexta-feira, o dia seguinte ao do anúncio do acordo com o governo federal, quando havia 264 pontos.

No começo da noite, grupos queimaram pneus na BR-277 e na avenida Rui Barbosa, em São José dos Pinhais, na Nicolla Pellanda, Umbará, na Leopoldo Jacomel, em Piraquara e na CIC. Na Isaac Ferreira da Cruz dezenas caminharam em apoio à greve.

Interior

Associação dos Municípios do Paraná alerta para a situação emergencial em centenas de municípios. O problema mais frequente é a paralisação do transporte escolar, que força o fechamento de escolas.

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