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Índice de infestação do Aedes aegypti triplica em Maringá

Por Eduardo Xavier, Metro MaringáO índice de infestação do mosquito transmissor da dengue, zika vírus, chikugunha..

Mariana Ohde - 20 de fevereiro de 2018, 10:09

Foto: Betina Carcuchinski/PMPA
Foto: Betina Carcuchinski/PMPA

Por Eduardo Xavier, Metro Maringá

O índice de infestação do mosquito transmissor da dengue, zika vírus, chikugunha e febre amarela em Maringá triplicou neste mês na comparação com novembro do no passado. O índice é chamado Liraa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti). O resultado médio no município saltou de 1,2% para 3,6% no período.

Este é o primeiro levantamento de 2018 e foi realizado entre os dias 29 de janeiro e 2 de fevereiro. A cada ano são feitos quatro. Hoje, Maringá lidera os casos de dengue no Paraná.

Segundo a gerente da Vigilância de Zoonoses, Janete Veltrini Fonzar, o índice de 3,6% - isto significa que a cada 100 domicílios visitados, 3,6 tinham focos do mosquito – é considerado de médio risco. “E em janeiro, com maior volume de chuva, o Liraa tende a dar resultado mais alto”, disse.

Em janeiro de 2017, o índice medido foi de 3,0%. De acordo com dados da Estação Climatológica da UEM (Universidade Estadual de Maringá), no mês passado, o índice pluviométrico no município foi de 357,7 milímetros, o terceiro maior para janeiro desde o início das medições, há 41 anos. A média histórica para o mês é de 212,6 mm, o mais alto entre todos os meses.

O maior índice de infestação verificado pelo levantamento foi de 9,0%, no Jardim Alvorada e Vila Morangueira.

Em quase 50 bairros e nos distritos de Floriano e Iguatemi, o Liraa aponta alto risco de contaminação, ou seja, índice acima de 4%.

Lixo

Depois de ser multada em R$ 10 mil pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná) por disposição irregular de resíduos sólidos urbanos a céu abeto na pedreira municipal, a prefeitura suspendeu neste ano o programa Bota Fora, que era uma das ações importantes de combate ao Aedes porque eliminava criadouros do mosquito.

O secretário municipal de Serviços Públicos, Vagner de Oliveira, sustenta que o material recolhido nas residências era levado à pedreira para ser separado. Os recicláveis eram transportados para as cooperativas cadastradas e o restante para o aterro sanitário da Pedreira Ingá, empresa contratada pela prefeitura para dar destinação final ao lixo.

O programa aguarda licença ambiental da Sema (Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal) para levar o material coletado à pedreira municipal.

O Liraa divulgado ontem aponta que os principais criadouros do mosquito são o lixo intradomiciliar, vasos de planta, barris, pneus e caixas d’água. Nas áreas consideradas de alto risco, 35% dos criadouros estavam em resíduos sólidos nos quintais.

Casos

O mais recente relatório da Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), publicado no dia 8 de fevereiro, aponta que Maringá é a cidade do estado com maior número de casos de dengue. Foram 146 registros desde agosto de 2016. Em seguida, vem Foz do Iguaçu (45).

Os municípios com mais casos suspeitos da doença notificados são Londrina, com 2.236 registros, Maringá (1.572) e Foz do Iguaçu (1.103).

Prevenção

Nesta segunda-feira (19), o secretário de Saúde, Jair Francisco Pestana Biatto, apresentou os números e o projeto “Aedes do Bem”, que se baseia na produção de mosquitos machos transgêneros para redução da infestação - e pode ser implantado em Maringá.

A proposta consiste na produção em laboratório de machos que, ao copular, fazem com que as fêmeas gerem filhotes que morrem antes de chegar à fase adulta.

Equipes da saúde foram a Piracicaba (SP) conhecer o programa.