Conheça as histórias de superação do maior hospital pediátrico do Brasil

Francielly Azevedo

Hospital Pequeno Príncipe

‘Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos’. A frase de Antoine de Saint-Exupéry, autor do best-seller ‘O Pequeno Príncipe’, pode fazer sentido quando uma das poucas coisas que se tem é a esperança. Esse sentimento que não é palpável, e muito menos visível, mas que é compreendido pelo coração. A esperança de continuar a viver: é isso que muitas famílias sentem quando procuram o HPP (Hospital Pequeno Príncipe), em Curitiba.

A instituição, que completou 100 anos no último mês de outubro, é o maior hospital pediátrico do Brasil, por isso, muitos pacientes de outros estados buscam a unidade para tratamento. “Nós também somos referência para alta complexidade. Por isso, a gente recebe literalmente pacientes de todos os estados do Brasil”, explica a diretora executiva do Hospital, Ety Cristina Forte Carneiro.

São 32 especialidades médicas, com centro integrado de diagnóstico e 70% da sua capacidade de atendimento gratuita por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). “O hospital trabalha muito fortemente a qualidade com equidade e humanização do atendimento. Aqui no Pequeno Príncipe tudo é feito igual para todas as crianças, com muito amor”, ressalta a diretora.

Desde a fundação em 1919, são milhares de histórias de sucesso e gratidão que o hospital coleciona. O Paraná Portal conta, nas próximas linhas, duas delas: a superação da Lara e do Luan.

A ESTRELA LARA

‘É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas’ (O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry)

Lara comemorando 15 anos. (Acervo Pessoal)

Lara Lang tem 15 anos e mora em São Bento do Sul, em Santa Catarina, a aproximadamente 120 km de Curitiba. Toda terça-feira ela e a mãe, Divone Alves Domingos, fazem o trajeto até o HPP para o tratamento de uma Leucemia Linfoide Aguda (LLA). 

A doença foi descoberta quando a menina tinha dois anos e meio de idade. Na ocasião, o médico pediatra que atendia a criança, em Santa Catarina, fez o encaminhamento ao HPP em Curitiba, por meio do SUS.

A mãe de Lara conta que o tratamento, que já dura 13 anos, passou por altos e baixos. Essa é a quarta etapa da adolescente na luta contra a leucemia. “Ela fez o primeiro tratamento, aí ela ficou três anos sem nada, depois voltou. Então, ela fez o segundo tratamento, depois ficou um ano sem precisar de quimioterapia, aí voltou novamente. Até que em 2017 a gente fez o transplante de medula e ficou um ano sem nada. Agora voltou em janeiro”, contou Divone.

A mãe, Divone, Lara e a irmã Djulia. (Acervo Pessoal)

A menina, sorridente e apaixonada pela família, não perdeu em nenhum momento a vontade e esperança de viver, graças ao suporte do Hospital Pequeno Príncipe. Segundo a mãe é uma relação de confiança. “Eles pensam na gente como se fosse um deles. Nós já precisamos ir de madrugada, às pressas, e fomos sempre bem atendidos. Os exames conseguimos tudo pelo HPP. Meu sentimento pelo hospital é maravilhoso, porque os médicos são a nossa família. Só temos a agradecer ao HPP que abriu as portas para nós”, declarou emocionada.

Divone ressalta que o apoio dos profissionais faz com que Lara se sinta na sua segunda casa e não perceba tanto o sofrimento do tratamento contra a leucemia. “Não imagino como seria a vida da Lara sem o HPP. Eu gostaria que a gente não precisasse do HPP, mas se Deus quer assim, que bom que o HPP existe”, afirmou.

A FORÇA DE LUAN

‘Sempre há outra chance, uma outra amizade, um outro amor. Para todo fim, um recomeço’ (O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry)

Luan dos Santos tem 18 anos e faz tratamento no HPP desde 2011. Com mielomeningocele – uma malformação congênita da coluna vertebral – ele veio com a família de Arapiraca, em Alagoas, para buscar uma melhor qualidade de vida no Paraná. O garoto mora com a família em Astorga, na região norte do Paraná, a mais de 400 km de Curitiba, e faz acompanhamento todo mês em Curitiba.

O menino nasceu com mielomeningocele, desenvolveu hidrocefalia, teve um AVC e problemas no rim. “Foi feito o ultrassom e já mostrou no exame que ele tinha hidrocefalia. Uns meses depois, no segundo ultrassom, descobriram que que ele tinha um problema na coluna, que até então não sabia o que era. Pesquisando descobriram que era mielomeningocele, que a hidrocefalia era causada por conta da mielomeningocele”, conta a mãe do Luan, a dona de casa Lenira Anisia dos Santos.

Divulgação / HPP

Foi no HPP que ele conseguiu tratamento adequado para doença, tudo por meio do SUS. Graças ao programa Família Participante, que permite que pais ou responsáveis permaneçam com as crianças durante o tempo de internamento, Luan teve o apoio da mãe por perto. “O sonho de quem tem um filho com problema é entrar no Pequeno Príncipe, porque lá a gente encontra apoio em todos os sentidos”, destaca Lenira.

Segundo a mãe, o tratamento no HPP melhorou 80% a rotina do Luan. “O hospital mudou tudo na vida do Luan. O Luan nasceu de novo neste hospital. O Luan teve um crescimento de um osso na coluna que ficava saliente. Por causa disso, ele não tinha apoio para deitar e para sentar, porque incomodava, doía. Foi graças a cirurgia que a vida dele mudou. Essa melhora do Luan foi depois que ele começou o tratamento no HPP”, afirma.

Emocionada, Lenira conta que se não fosse o HPP o filho não estaria vivo. “Eu sei que a gente só morre no tempo certo, mas se eu tivesse continuado no lugar onde eu morava, o Luan não estaria vivo. Porque ele passou por situações bem delicadas. Eu creio que se fosse em outro hospital, que não tivesse tanta dedicação, ele não teria resistido”, desabafa.

Agora, ao completar 18 anos, Luan terá que ser transferido para outro hospital, já que o HPP trata de crianças e adolescentes. A notícia foi um choque para família. “A gente criou um vínculo lá. Desde a limpeza até a administração. Nós criamos uma confiança total. Eu chorei muito no dia que a médica falou que o Luan seria transferido, sai desolada pelos corredores”, lamenta.

EXCELÊNCIA EM ATENDIMENTO INFANTIL

O HPP nasceu após um grupo de mulheres voluntárias montar um projeto para construir um centro de saúde excelência para todas as crianças. Este sonho foi ganhando apoiadores e se tornou realidade em 1919.

Atualmente, são mais de 305 mil atendimentos ambulatoriais e 21 mil cirurgias anuais, incluindo procedimentos de alta e média complexidade, como transplantes de órgãos e medula óssea.

Com 370 leitos, sendo 68 em UTIs, o Hospital conta com uma estrutura única que alia tecnologia e humanização. “O fato de nós termos muitas especialidades é muito importante, porque as vezes a criança vem por uma determinada questão e aqui rapidamente se identifica um outro problema, que pode ser complexo, e rapidamente a criança inicia o tratamento ou faz a cirurgia. Temos todos os exames complementares, temos o laboratório genômico, que investiga casos mais complexos”, detalha a diretora executiva do Hospital, Ety Cristina Forte Carneiro.

O Hospital também forma especialistas em diferentes áreas de atuação desde os anos de 1970. Mais de dois mil médicos pediatras, anestesistas, ortopedistas, cardiologistas, cancerologistas e cirurgiões pediátricos de todo o país já complementaram sua formação e especialização em estágios e residências médicas no HPP. Além disso, desde 2003, funciona a Faculdade Pequeno Príncipe, que oferece cursos de medicina, biomedicina, psicologia, enfermagem e farmácia.

“Nós trabalhamos essa sinergia de assistência, ensino e pesquisa. Então temos o hospital, a faculdade desde 2003 – agora no próximo semestre formando sua primeira turma de medicina – e o instituto de pesquisa que tem foco nas doenças complexas da infância”, ressalta a diretora.

Além disso, desde 1987, a instituição oferece aulas para as crianças internadas. Para que os pequenos alunos não sofram defasagem escolar, em função do internamento. “A gente trata todas as questões de cultura e cidadania para trazer protagonismo e abrir novos horizontes”, enfatiza.

Tudo isso faz com que os indicadores do hospital apresentem cada vez mais índices positivos, com as taxa de permanência e mortalidade diminuindo e os tratamentos de complexidades aumentando. “Nos últimos 10 anos nós baixamos a taxa de mortalidade de 2,5% para 0,59%”, afirma Etty.

DOAÇÕES

Como a maior parte do atendimento é feito de maneira gratuita, o HPP sobrevive de doações. Qualquer pessoa pode ajudar, com qualquer valor ou até mesmo com a destinação do Imposto de Renda. “Graças ao apoio da comunidade, das empresas, a parceria com os três setores da sociedade, a gente consegue não só sobreviver, mas cada vez fazer mais e melhor”, destaca a diretora do hospital.

Na página Doe Pequeno Príncipe é possível efetuar a doação e conhecer melhor o trabalho desenvolvido pela instituição.

‘E TU TERÁS ESTRELAS QUE SABEM SORRIR’ (Antoine de Saint-Exupéry); VEJA A GALERIA:

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.