Coletivo cobra representatividade negra na universidade e pede cota racial na UEM

Fernando Garcel


Redação com Metro Jornal Maringá

O Coletivo Yalodê-Badá (da juventude negra de Maringá) e o Núcleo de Estudos Interdisciplinares Afro-Brasileiros (Neiab/UEM) desenvolveram uma petição online para a criação de cotas raciais na Universidade Estadual de Maringá. O assunto é considerado uma espécie de tabu na instituição de ensino e já foi discutido em outras oportunidades, em 2001, 2002 e 2008.

Segundo a UEM, dos 15.798 inscritos no Vestibular de Verão 2016, 470 eram negros – 246 eram cotistas e 224 não cotistas. Foram aprovados três cotistas e 12 não cotistas.

No documento que embasa o abaixo-assinado, o coletivo reforça a ideia do racismo estrutural na sociedade. “A importância da representatividade negra nos espaços de disputa social e política é urgente, para, além de outras questões, desmitificar a ideia que há uma Europa no sul do Brasil”, diz o texto. “Mesmo sendo a maioria no Brasil, a população negra é muito pequena na academia. E por quê? Porque o racismo institucional impede a mobilidade social e o acesso da população negra a esses espaços”, afirma o documento.

A universidade faz reserva de 15% das vagas – no Vestibular de Inverno 2017, que será realizado de 16 a 18 de julho, são ofertadas 1.492 em 69 cursos de graduação – para o Programa de Avaliação Seriado (PAS) mais 20% são para cotas sociais, em que o candidato precisa ter cursado todas as séries dos ensinos fundamental e médio em escola da rede pública e seja proveniente de grupo familiar cuja renda bruta mensal per capita não exceda 1,5 salário mínimo.

Um censo de 2011 apontou que dos cerca de 14 mil alunos da universidade na época, 205 eram negros. Segundo Paulo Vitor Palma Navasconi, integrante do Coletivo Yalodê-Badá e do Neiab, desde a última segunda-feira, quando a petição foi colocada na internet, foram conseguidas mil assinaturas. A intenção é chegar a 5 mil. “Ano passado, a reitoria nos informou que uma discussão sobre cota racial seria possível com a entrega de um abaixo-assinado”, disse.

A UEM informou que “todas as demandas da comunidade em geral são consideradas importantes e legítimas pela atual gestão e havendo amparo legal são encaminhadas para as instâncias competentes e que as políticas institucionais são deliberadas nos conselhos superiores”.

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