Acidente da BR-277: Polícia planeja ouvir 50 envolvidos para definir se houve negligência

Vinicius Cordeiro

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A Polícia Civil do Paraná, responsável pelo inquérito do acidente na BR-277 que resultou na morte de oito pessoas no último domingo (2), pretende ter ao menos 50 depoimentos sobre o engavetamento que envolveu 22 veículos em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Além do trabalho da perícia, as versões serão usadas para determinar se houve qualquer tipo de negligência por parte da concessionária Ecovia, responsável por administrar o trecho, ou de algum dos motoristas.

“Ao todo, esperamos ouvir cerca de 50 pessoas. Vamos tentar esclarecer esses fatos para se houve responsabilidade de alguma das pessoas envolvidas ou da concessionária”, explica o delegado Fábio Machado, responsável pelo caso, ao Paraná Portal.

Segundo ele, os depoimentos dos 22 sobreviventes e das famílias das vítimas devem acontecer só a partir da semana que vem. Isso porque um ferido ainda está internado – o outro teve alta do Hospital Cajuru nesta tarde – e a polícia quer esperar que os familiares tenham o momento de luto antes de serem intimados.

“Nessa semana vamos ouvir os responsáveis pela concessionária, os policiais rodoviários, bombeiros e profissionais da Saúde que atenderam o local do acidente para ter uma noção exata do cenário e qual foi as impressões dessas pessoas”, completa Machado.

A polícia também leva em consideração o fato dos bombeiros apontarem a causa do acidente a combinação da neblina com a fumaça de um incêndio na beira da estrada. O trecho da rodovia foi interditado por cerca de três horas na madrugada desta terça-feira (4) justamente pela falta de visibilidade na região. A ação foi feita em conjunto pela Ecovia e a PRF (Polícia Rodoviária Federal).

Em nota, a concessionária afirma que está à disposição das autoridades policiais para prestar os devidos esclarecimentos. Após o acidente, a empresa ainda disse que o trabalho preventivo não foi realizado em tempo de evitar o primeiro acidente e que todos os procedimentos cabíveis para esse tipo de situação foram tomados.

MOTORISTA DO CAMINHÃO PRESTOU DEPOIMENTO AINDA ABALADO

Segundo a PRF, o caminhão foi o último veículo envolvido no acidente. (Franklin de Freitas/Folhapress)

Cláudio Alexandre Seroiska, motorista do único caminhão envolvido, prestou o primeiro depoimento sobre o caso nesta terça-feira (4). A versão dele é que ao perceber o engavetamento dos carros, ele tirou o caminhão da pista. No entanto, diversas pessoas que tinham saído dos veículos e estavam no acostamento foram atropeladas pela carreta.

A polícia constatou que se tratou de uma fatalidade por causa da falta de visibilidade causada pela mistura entre neblina e fumaça, provocada por um incêndio na beira da rodovia. Além disso, o delegado descartou que ele estava embriagado ou cansado.

“Ele estava muito abalado e emocionado com tudo que aconteceu. Ele relatou para nós que teria carregado o caminhão na sexta-feira e estava em casa no final de semana, descansando com a família, e tinha acabado de sair da sua residência para fazer uma entrega de carga em São Paulo”, avalia o delegado Fábio Machado.

Outro destaque no depoimento do caminhoneiro foi a confirmação da veracidade dos áudios nos quais o motorista narra o episódio ainda na BR-277.

“Eu fui passando por cima de tudo, meu Deus do céu… Gente do céu, eu tô aqui na 277…tinha o trânsito parado, um nevoeiro, não dava para ver nada. Meu pai amado, me ajude, o que eu faço agora”, gravou ele momentos depois do acidente – escute abaixo.

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