Adoção: Ferramenta quer dar visibilidade para crianças menos procuradas

Rafael Neves - Metro Curitiba

Um aplicativo lançado na última sexta, em Curitiba, promete aproximar os interessados em fazer adoção das mais de 8,7 mil crianças e adolescentes que esperam por uma família no Brasil. Na ferramenta, chamada de A.DOT, os protagonistas são os jovens de 0 a 17 anos que não costumam ser priorizados no CNA (Cadastro Nacional de Adoção), especialmente devido à idade, em geral acima dos 5 anos.

As crianças se apresentam aos adotantes por meio de fotos e de vídeos, contando suas histórias e expectativas. “O aplicativo vem para dar mais uma chance àqueles que já não sonhavam em encontrar uma família. Eles dizem do que gostam, quais os sonhos deles”, explica Adriana Milczevsky, presidente do Grupo de Apoio Adoção Consciente e uma das idealizadoras do projeto, desenvolvido com apoio do Judiciário.

O aplicativo tem por enquanto cerca de 40 crianças paranaenses cadastradas, mas, segundo o TJ-PR (Tribunal de Justiça do Paraná), deve se expandir em breve pelo país, pois vários estados já fizeram pedidos para aderir.

Os pretendentes à adoção podem baixar o A.DOT (primeiramente disponível para Android e em breve em IOS) e, manifestando interesse por uma criança específica, a informação é repassada ao juiz competente, para que faça contato entre as partes.


Constituição

“O objetivo é fazer valer a Constituição, que prevê direito à família. Filhos de pais violentos, omissos, negligentes, nós temos a obrigação de achar uma nova acolhida para eles”, diz Sérgio Luiz Kreus, juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça do Paraná.

A ideia do aplicativo nasceu de uma conversa entre Adriana e Kreus em Fortaleza, em junho do ano passado, durante o Enapa (Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção). Segundo ambos,
as chances de uma criança ser adotada vai caindo porque a exposição é mínima: os interessados na adoção têm acesso apenas ao nome, à idade e informações rasas.

Invisibilidade

“Elas vão se tornando invisíveis à sociedade”, diz Adriana. Das mais de 8,7 mil crianças registradas na fila da adoção no país na semana passada, 77,4% têm 5 anos ou mais. Cerca de dois terços são negras ou pardas. Quase 60% possuem irmãos, um fator que costuma desestimular as famílias interessadas.

“À medida em que a gente mostrar que essa criança também tem o desejo de ter uma família, que vai bem na escola, que joga bola, não tenho dúvidas de que essa proximidade vai sensibilizar o adotante”, completa Kreus.

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