Advogado morto em posto de Curitiba abriu ação contra Moro, mas polícia nega relação

Vinicius Cordeiro


Um dos mortos no duplo homicídio em um posto de combustível de Curitiba, no final da tarde desta quinta-feira (11), foi o advogado Igor Martinho Kalluf, de 40 anos, que apresentou uma ação para que o ex-ministro Sergio Moro fosse investigado em 2019.

Na ocasião, ele integrou o pedido do grupo Advogados do Brasil, que tinha como base as reportagens do Intercept, que foi protocolado na PGR (Procuradoria-Geral da República). No entanto, a Polícia Civil do Paraná nega a relação da morte de Kalluf com a ação contra Moro.

“Essa foi uma linha investigativa, além de outras, que iniciamos nas primeiras horas. Só que com o decorrer das oitivas bem como dos demais elementos de celular e mensagens, temos a cabal certeza que não tem nada a ver com esse processo”, garante a delegada Tathiana Guzella.

Procurado pela reportagem, o ex-ministro Sergio Moro não quis se posicionar sobre o caso.

Em um vídeo da câmera de segurança do posto flagrou o momento em que os suspeitos executam pelo menos cinco disparos.

A outra vítima do assassinato foi Henrique Mendes Neto, de 38 anos. Durante as investigações, a polícia diz que ele foi morto apenas por estar no local e que as mortes foram causadas por um acerto de contas contra Igor.

“O Henrique morreu porque estava junto da vítima do advogado. Ele foi chamado para lhe acompanhar e não foi esclarecido muito bem essa situação. Mas o Igor também não acreditou que estaria em perigo”, conta a delegada.

Um empresário, suspeito de ser o mandante do crime, foi preso pela polícia na madrugada desta sexta-feira (12). Ele foi detido na residência da sua mãe em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e encaminhado à  DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa).

Segundo a polícia, o mandante estava com uma dívida de cerca R$ 480 mil envolvendo pedras preciosas e Igor Kalluf foi o advogado contratado para a cobrança desse valor.

“Ele falou que contratou só um homem, mas que esse levou outros. Mesmo assim, ele os levou em seu carro. Ele também falou que não devia nada, portanto que não tinha motivo para estar sendo cobrado”, relata a delegada Tathiana.

AÇÃO CONTRA O ADVOGADO FOI OUSADA, AVALIA DELEGADA

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Vídeo mostra quando os suspeitos apontaram as armas contra Igor e Henrique. (Reprodução)

Para a polícia, as duas vítimas foram alvos de uma estratégia muito bem definida na ação que aconteceu em um posto de gasolina em Curitiba, localizado na esquina da Avenida Vicente Machado com a Brigadeiro Franco.

“Todo o grupo foi muito ousado. Cercou, taticamente, de forma correta seus inimigos e só atacou depois do aval do mandante. Essa é a impressão que a polícia tem olhando a cena criminosa, que corrobora com quase tudo dos depoimentos prestados”, avalia a delegada Tathiana Guzella.

De acordo com ela, alguns dos envolvidos já foram identificados e a polícia já solicitou os mandados de prisão.

“Sugiro que venham a unidade policial, com ou sem advogado, antes que ser expedida a prisão em desfavor de vocês”, finalizou.

Os suspeitos devem ser autuados ao menos por assassinado duplo qualificado, com qualificação de motivo torpe.

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