Advogados de Manvailer não apresentam defesa e pedem suspensão do processo

Fernando Garcel

Segundo a defesa de Luis Felipe Manvailer, o Ministério Público do Paraná não concluiu a acusação

A defesa do professor Luis Felipe Manvailer, de 32 anos, acusado de matar a advogada Tatiane Spitzner, não apresentou a defesa técnica nos autos do processo que tramita na 2ª Vara Criminal de Guarapuava, na região central do Paraná. O prazo para apresentação do documento terminou ontem (12).

Os advogados alegam que o Ministério Público do Paraná (MPPR) continua a apresentar documentos e a construir a tese de acusação e que sem a conclusão dessa etapa é impossível que a defesa contraponha os promotores.

“A impossibilidade de se apresentar uma resposta à acusação permanece intransponível no presente caso. Aliás, os recentes movimentos do Ministério Público trazendo aos autos novos elementos de informação produzidos em delegacia de polícia, mesmo depois do oferecimento da denúncia, só mostram que as investigações, a bem da verdade, continuam em franco andamento. Embora tenha havido um encerramento (meramente formal) do inquérito, a bem da verdade, os fatos ainda não foram elucidados”, diz a defesa.

Os advogados de Manvailer também defendem que o Ministério Público indique, com os laudos extraídos de exames do corpo da vítima, quais as condições que levaram Tatiane à morte. “Quando (antes ou depois da queda?), onde (dentro do apartamento ou na calçada?) e como (por asfixia ou por politraumatismo?) ela morreu”, descreve a defesa na declaração.

Por fim, a defesa do suspeito volta a pedir a suspensão do processo até a conclusão dos exames e laudos de necropsia e do exame anatomopatológico.

Caso

Tatiane foi encontrada morta no apartamento em que morava com Manvalier no último dia 22 de julho. Imagens mostram ela sendo agredida antes de entrar no prédio, no estacionamento, no elevador, e a queda do 4º andar. Depois, o suspeito busca o corpo, leva ao apartamento, limpa os vestígios de sangue no corredor e elevador e foge do local por uma saída alternativa do estacionamento.

De acordo com a denúncia, Luis Felipe matou a esposa após diversas agressões físicas que teriam iniciado após um desentendimento ocorrido em virtude de mensagens em redes sociais, agindo por motivo fútil e desproporcional. Os promotores Dúnia Serpa Rampazzo e Pedro Henrique Brazão Papaize também afirmam que o laudo da perícia aponta que ele teria enforcado a vítima.

“Ainda, de acordo com o Laudo Pericial de Local de Morte, de fls. 239-249, o acusado, durante a execução do crime de homicídio, produziu lesões características de esganadura na vítima, quais sejam, ‘estigmas ungueais nas regiões laterais do pescoço, características de esganadura’, praticando o delito mediante asfixia. O denunciado, ao matar a vítima, agiu mediante recurso que dificultou a sua defesa, em razão da sua superioridade física em face da ofendida e das agressões contínuas e progressivas que inibiram a possibilidade de reação por parte desta. Ademais, o denunciado praticou o presente crime contra mulher por razões da condição de sexo feminino, já que Tatiane Spitzner era sua esposa, caracterizando violência doméstica e familiar”, diz a denúncia.

> Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane

Câmeras flagraram agressões de Luis Felipe contra a esposa momento antes da morte de Tatiane
Sobre o cárcere privado, a denúncia narra que Luis Felipe impediu, mediante violência, que Tatiane se afastasse, por pelo menos três vezes, constrangendo-a a deixar a garagem do edifício em sua companhia, a permanecer dentro do elevador e a ingressar no apartamento em que residiam, restringindo a liberdade de locomoção da vítima, conforme as filmagens do circuito interno de câmeras do edifício.

A denúncia sobre o crime de fraude processual ocorre porque o acusado tentou adulterar a cena do crime. As imagens do circuito interno do edifício mostram que Luis Felipe Manvailer recolheu o corpo da vítima após a queda, levou até o apartamento e depois limpou o chão e elevador que ficaram sujos de sangue.

“[…] Ciente da ilicitude e reprovabilidade de sua conduta, inovou artificiosamente, visando produzir efeito em processo penal ainda não iniciado, o estado de lugar e de coisas, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, mediante a remoção do corpo da vítima TATIANE SPITZNER do local da queda e limpeza de vestígios de sangue”, diz a denúncia

O advogado da família de Tatiane, Gustavo Scandelari, afirma que todas as provas e laudos até agora, contradizem o que foi dito por Manvailer em depoimento.

“Provas do inquérito, que são os depoimentos, especificamente no perfil mais agressivo do indiciado, destacando que a Tatiane estava tentando o divórcio mas que ele era contra, o laudo constata a marca de esganadura e as marcas do pescoço de Tatiane. As próprias filmagens mostram que ela estava desesperadamente fugir do marido para evitar ser agredida”, diz Scandelari.

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