“Depen sabia sobre resgate de presos”, denuncia sindicato

Jordana Martinez


Andreza Rossini e Jordana Martinez

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (SINDARSPEN) convocou entrevista coletiva para alertar sobre os riscos da crise no sistema prisional e apontou uma série de medidas necessárias para evitar que o Paraná seja palco de tragédias como as ocorridas nos estados do Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte.

O alerta acontece depois da morte de dois presos e da fuga 26 detentos durante uma rebelião neste fim de semana, no Complexo Penitenciário de Piraquara (PEP I), na Região Metropolitana de Curitiba.

Segundo a presidente do sindicato, Petruska Sviercoski, na noite anterior à fuga ou no mesmo dia, os presos alertaram a diretoria da penitenciária sobre o plano de fuga, mas nenhuma medida de segurança extra teria sido adotada.

“Os muleke do x 18 esta ventana (?) tem tudo arrebentada, vai fugi hoje a noite em fuga massa os cara vai vem no muro atirar ventana do 18 o prezo vai abri os barracos (sic)”, diz o bilhete.

De acordo com Petruska, sete meses antes do ocorrido foram encontrados explosivos no entorno da unidade. O objetivo seria realizar a mesma ação que, desta vez, foi concretizada. “Foi denunciado pelos agentes da penitenciária e pelo sindicato de que houve sim a denúncia de um preso para o Depen de que haveria sim a fuga naquela noite”.

bilhete“Essa fuga poderia ter sido evitada se o sistema penitenciário estivesse recebendo a devida atenção e investimento do governo do estado. Há muito tempo estamos denunciando a falta de agentes penitenciários, de monitoramento externo pela PM e falta de estrutura”, afirmou.

De acordo com o sindicato, no momento da rebelião,  no máximo 12 agentes estavam de plantão para cuidar de 700 presos. “O sistema está completamente vulnerável, eu diria que ele está chegando a beira do caos. Não tem trabalhador suficiente, não tem estrutura e a organização da massa carcerária superou e muito a capacidade do governo em conter. O governo sempre age um passo atrás da organização criminosa.

Segundo o sindicato, as unidades estão superlotadas e há um déficit de 1,6 mil agentes no sistema, além da falta de treinamento específico, falta de equipamentos e estrutura para o trabalho. Segundo ela, com tantas demandas, os presos acabam tomando conta das unidades.

“Eles vivem em um quadro constante de insegurança. Sabemos que os presos só não fazem rebelião quando não querem”, afirmou.

“Os agentes penitenciários deixam de lado as regras de segurança para poder fazer as movimentações. Eles fazem sozinhos o que deveria ser feito por cinco ou seis agentes”, alertou.

A presidente aproveitou para questionar a atuação do governo na rebelião do último fim de semana: “Eu não sei se o Richa sabe como funciona o sistema penitenciário. Não tinham 30 agentes lá como ele achava. Se tivesse monitoramento interno e externo, isso não teria acontecido”.

“A primeira grande falha do governo foi quando resolveram ampliar o número de vagas na caneta, sem construir nenhuma delas”, apontou.

[insertmedia id=QZakVmwEgzc]

Uma carta foi enviada para a Secretária de Segurança Pública pelo sindicato com o alerta e a lista de reivindicações.

Petruska afirmou que os objetos proibidos na penitenciária são arremessados para os presos através do muro. “Nas entradas tem os scanner corporal que funcionam. Os comparsas jogam esses “kits” de sobrevivência ou de fuga, como eles chamam, por cima do muro e os detentos não tem dificuldade de pescar essas caixas de dentro da cela”, afirmou.

Governador rebate sindicato

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira o governador Beto Richa afirmou que a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária está providenciando as contratações, mas argumentou que mais agentes não teriam evitado a fuga: “O planejamento para contratação de mais agentes está sendo feito pela Sesp. Mas mesmo que tivesse mais agentes, não seriam os agentes que iriam conter aquela invasão à penitenciária, seguida da explosão e da fuga. O importante foi a presença da polícia, que evitou uma fuga maior de presos”, afirmou.

Alerta máximo

O Diretor do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Luiz Alberto Cartaxo Moura, afirmou que solicitou o reforço da segurança externa em todas as unidades prisionais do estado, bem como determinou a suspensão de todas as atividades não essenciais, como visitas, saídas para estudo e trabalho, por exemplo. “Só estão mantidas as atividades de alimentação, atendimento médico e atendimento jurídico, por tempo indeterminado, até que seja feita uma varredura completa em todas as unidades do estado para a busca de materiais como celulares e objetos que possam servir como armas”, disse.

Previous ArticleNext Article
Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.