Rebelião em Cascavel deixa dois presos mortos; agentes seguem reféns

Mariana Ohde


Com Narley Resende

Dois detentos morreram – um deles, decapitado – e um refém ficou ferido em uma rebelião que teve início na Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC) na tarde desta quinta-feira (9). Os presos renderam três agentes por volta das 15h, subiram no telhado da penitenciária e chegaram a exibir uma bandeira da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Um dos agentes foi liberado por volta de 18h depois de negociações com a Polícia Militar (PM). Ele ficou ferido, mas está fora de risco, segundo Petruska Niclevisk Sviercoski, presidente do Sindicato Dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen).

Nesta manhã, pelo menos 600 presos seguiam rebelados. Outros 300 foram mantidos reféns ou isolados em alas do presídio. A penitenciária abriga, hoje, cerca de 900 presos. Familiares dos detentos estão no local desde ontem.

Segundo o Coronel Lee, do 5º Comando Regional da Polícia Militar, a situação ficou controlada durante a madrugada, mas apesar das negociações, a PM pode invadir o local para acabar com a rebelião após os presos não cumprirem o acordo feito com os policiais.

“Eles querem o famoso ‘bonde’, querem transferência. A polícia não trabalha com transferências. Não é vinculada a entrega da cadeia com essa situação. A gente quer conversar, estamos conversando. Estamos em bons termos, mas eles sabem do que somos capazes também”, afirma.

Durante a madrugada 150 detentos foram transferidos da PEC, sendo que 100 foram levados até a Penitenciária Industrial de Cascavel (PIC) e 50 para a cadeia pública da 15ª Subdivisão Policial.

O preso decapitado seria líder da facção criminosa Máfia Paranaense e teria sido morto por integrantes do PCC. O número total de mortos e feridos ainda não é confirmado, mas há pelo menos uma pessoa em estado grave e dois mortos. Dois agentes penitenciários permanecem em poder dos presos.

O Departamento Penitenciário do Paraná determinou o fechamento de todas as unidades prisionais do Paraná para evitar que facções sigam determinações externas e comecem novos motins.

Para Petruska, o principal motivo da rebelião é a falta de estrutura na penitenciária. “Os mesmos motivos que levaram à rebelião de 2014 permanecem até hoje”, explica, citando a falta de efetivo, segurança e infraestrutura.

Em 2014, na mesma cadeia, uma rebelião deixou cinco presos mortos e 27 feridos, em uma dos casos mais violentos em presídios da história do Paraná. Em 2016, uma nova rebelião deixou 12 presos feridos.

Um cordão de isolamento foi montado nas imediações. Equipes da Polícia Militar do Pelotão de Choque e do Corpo de Bombeiros negociam a liberação dos outros dois reféns.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) a rebelião pode ter sido motivada por uma briga entre facções e os presos não fizeram exigências. Segundo a secretaria, o presídio de Cascavel abriga 980 detentos. A capacidade da penitenciária é para 1.160 presos.

Pelo menos 80% da estrutura do presídio foi destruída, segundo a Polícia Militar (PM).

Familiares de detentos, que reivindicam informações sobre a situação dos presos, dormiram ao redor do presídio. Algumas pessoas, sem cobertores, ficaram em um matagal ao lado do presídio.

Ontem à noite, familiares realizaram uma manifestação no quilômetro 579, da BR-277, em Cascavel. Cerca de 40 pessoas pediam notícias sobre as condições dos detentos. Ocorrência em andamento

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal