Animais silvestres que sofreram maus tratos ganham novos lares no Paraná

Francielly Azevedo


Trinta e seis jabutis, três iguanas e dois macacos-prego ganharam novos lares no Paraná nesta quinta-feira (27). Os bichinhos foram encaminhados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para uma instituição conservacionista, em São José dos Pinhais, e um criadouro, em Morretes. Os dois locais possuem todas as autorizações e licenças ambientais para criação desses animais.

Os animais foram avaliados por veterinários e não têm condições de serem reinseridos na natureza, ou por terem nascido em cativeiro, ou por já não saberem mais como competir por alimentos em seu habitat natural.

 

Maus tratos

Parte dos animais foi apreendida pela Polícia Ambiental em Londrina, no Norte do Estado, após denúncia anônima. Eles eram mantidos em um lava car na cidade sem autorização dos órgãos ambientais competentes e sofriam maus tratos. A polícia retirou do local dois macacos-pregos vivos e dois mortos, uma Arara Azul cega, sete filhotes de jabutis e quatro iguanas.

A arara, um jabuti e uma iguana estão em tratamento, sob os cuidados do Hospital Veterinário da Unifil, em Londrina. Os macacos foram destinados ao Instituto Conservacionista Anami, em São José dos Pinhais, e quatro jabutis foram recebidos pela Reserva Romanetto, em Morretes.

Outros dois filhotes de Jabutis não resistiram às más condições de saúde e morreram. “Todos esses animais eram mal alimentados e viviam sem os mínimos cuidados para que pudessem crescer com saúde. Só o fato de terem sido retirados da natureza, de seu habitat natural, já se caracteriza maus tratos”, explica a diretora de Licenciamentos Especiais do IAP, Edilaine Vieira.

Além de responder administrativamente a sanções legais que serão feitas pelo IAP, o responsável pelo local assinou um termo circunstanciado e terá que prestar esclarecimentos à Justiça, pois é reincidente no mesmo crime. Após a audiência o Juiz deve definir a pena a ser cumprida.

 

Entrega voluntária

Além dos jabutis de Londrina, a Reserva em Morretes também recebeu outros 32 que vieram de Umuarama. Eles foram entregues voluntariamente pelo antigo proprietário, que alegou não ter mais condições de cuidar dos animais como se deve.

Ele iniciou a criação há mais de 35 anos, quando morava em uma chácara, e eram somente dois jabutis. Com o tempo, a população dos animais aumentou e a necessidade de espaço também. Morando agora em ambiente urbano e sem espaço adequado, ele preferiu entregar os jabutis ao IAP, que os destinou para um criador com a estrutura necessária.

Diferentes dos Londrina, esses estavam em boas condições de saúde e não serão necessários cuidados médicos. “Apesar da Reserva estar licenciada pelo IAP e o Ibama como criador comercial, as iguanas e os jabutis entregues não poderão ser comercializados, mas apenas como matrizes, isto é, para a reprodução da espécie”, explica a diretora do IAP.

 

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.
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