Aplicativos de mensagens de Cristiana Brittes foram apagados após morte do jogador Daniel

Fernando Garcel


O Instituto de Criminalística apresentou o laudo da perícia realizada no celular de Cristiana Brittes, esposa de Edison Brittes, autor confesso da morte do jogador Daniel Correa em 27 de outubro do ano passado. Os aplicativos de mensagens foram apagados, e com eles os históricos de conversas, depois da morte do jogador.

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Segundo o laudo, antes da data da morte do jogador, todos os aplicativos estavam instalados no telefone. Horas antes de ser presa, os dados foram apagados e Cristiana e Edison entregaram o aparelho em uma assistência técnica alegando defeitos na tarde de 31 de outubro. O telefone foi entregue para a polícia pelo dono da loja de assistência uma semana depois.

Laudo anexou imagens do momento em que o aparelho foi entregue na assistência técnica.

O laudo aponta que o aparelho estava com problemas na captação de áudio pelo microfone, que não foi possível recuperar as últimas imagens e mensagens do celular. Por conter arquivos da vida privada de Cristiana, o anexo com todos os dados está sob sigilo absoluto.

“O exame do aparelho foi parcialmente prejudicado, devido à exclusão de aplicativos de redes sociais e comunicações instantâneas, tais como ‘WhatsApp’, ‘Instagram’ e ‘Facebook’, o que impossibilitou a recuperação de mensagens trocadas com os mesmos. Não foi possível determinar quando os aplicativos foram removidos do aparelho, mas até a data dos fatos sendo investigados (27/10/2018) todos estes aplicativos ainda estavam instalados no aparelho. A fabricante do aparelho (empresa ‘Apple’) pode fornecer eventuais registros complementares armazenados na nuvem (serviço “iCloud”), mediante solicitação judicial”, diz a perícia.

No documento, os peritos tornaram públicas duas capturas de tela que foram enviadas por Allana Brittes para a mãe, com trechos de conversa dela com o jogador e outra com o pai.

Em uma das imagens, capturada da tela do WhatsApp de Allana em agosto de 2017, a filha do casal conversa com o jogador Daniel que tenta marcar um encontro. Ela informa que só vai se for acompanhada de uma amiga. A outra imagem é uma captura de tela do WhatsApp de Allana com o pai, Edison Brites. Ela conta sobre o encontro com o jogador e o pai não deixa a filha sair com Daniel.

Segundo a defesa da família Brittes, o laudo comprova que Edison Brittes não conhecia o jogador. “Esse laudo representa o que foi alegado desde o começo, o telefone apresentava defeito e por isso foi levado para uma assistência técnica”, diz o advogado da família Brittes, Renan Canto.

Sobre as capturas de tela divulgadas pelo laudo, o advogado reforça a tese de que o autor do crime não conhecia o jogador. “Restou comprovado que Edison Brittes não conhecia a pessoa de Daniel e não o convidou para fazer sexo com sua esposa. Esse celular apresenta mais de 15 mil páginas de anexo, conteúdo de áudios e fotografias, que por cautela a juíza decretou sigilo absoluto por conter conteúdo de cunho pessoal e intimidades do casal”, explica o advogado.

Para a advogada da família de Daniel, o casal teria tentado apagar provas. Se a acusada quisesse contribuir com o inquérito naquele momento, ela poderia ter resgatado e ter fornecido isso. Mas a gente sabe que nada foi feito porque seria um atrapalho à linha de defesa”, afirmou Mithelle Weber à RPC.

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O caso
Beto Richa adia Caso Daniel Foto SPFC
Foto: Reprodução/SPFC

Daniel foi encontrado mutilado, na Colônia Mergulhão, área rural de São José dos Pinhais, no dia 27 de outubro. O ex-jogador foi mutilado e teve o pênis cortado e pendurado em uma árvore.

O crime ocorreu após o aniversário de 18 anos de Allana Brittes. A festa começou em uma casa noturna de Curitiba, no dia 26 de outubro, e seguiu para casa de Allana, onde começaram as agressões ao ex-jogador.

Edison afirma que ele estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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