Após 15 dias, professores encerram greve no Paraná

Os professores e funcionários da educação suspenderam a greve da categoria, em assembleia realizada na manhã desta segun..

Andreza Rossini - 31 de outubro de 2016, 12:00

Os professores e funcionários da educação suspenderam a greve da categoria, em assembleia realizada na manhã desta segunda-feira (31) e as aulas estão programadas para voltar na terça-feira (1). Cerca de 3 mil educadores participaram da reunião organizada pela App-Sindicato;

De acordo com a nota divulgada pelo sindicato, os profissionais vão realizar outras mobilizações para avançar com as negociações junto ao governo estadual. O Estado tem 78 mil professores e 31 mil funcionários da Educação, com 1 milhão de estudantes distribuídos em 2,1 mil escolas. Segundo o sindicato, a paralisação atingiu 65% da categoria.

 A greve foi deflagrada contra a emenda da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), encaminhada pelo governador Beto Richa (PSDB) para a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que retira o reajuste dos servidores públicos previsto para janeiro de 2017. A votação da emenda foi suspensa.

No dia 20, o governo do estado aceitou retirar o item 33 da emenda nº 043/2016, que suspenderia a data-base dos servidores públicos no ano que vem, caso as greves sejam encerradas. De acordo com a assessoria de imprensa da Casa Civil, a proposta só deve valer quando todas as categorias de servidores públicos encerrarem a paralisação. Os policiais civis e professores universitários também estão em greve.

O presidente do Sinclapol, sindicato que representa os policiais civis, afirmou que a categoria deve voltar ao trabalho após receber a notificação da decisão do  Tribunal de Justiça que considerou a greve ilegal. "A assembleia que nós já tivemos decidiu que, em caso de declaração de ilegalidade da greve, vamos voltar ao trabalho. Estamos esperando a notificação para começar outro movimento, sem paralisação, mas vamos recorrer da decisão política do TJ", afirmou.

A medida foi pedida pelos sindicatos como condição para a volta ao trabalho. Na ocasião, Rossoni assinou um termo de acordo com o Fórum das Entidades Sindicais (FES). “Trazendo esse documento assinado, o governo do Paraná vai cumprir o compromisso e retirar a proposta no mesmo instante”, declarou. O termo, no entanto, admite a possibilidade de a proposta ser reapresentada no fim do próximo mês, caso governo e sindicatos não encontrem uma solução que permita algum reajuste aos funcionários públicos estaduais. “Nós que conhecemos as finanças do Estado não vemos muito espaço para negociação, mas vamos expandir este diálogo até o final de novembro. Existe a possibilidade de construir uma emenda em conjunto com os sindicatos. Se não houver entendimento, o governo vai enviar a mesma emenda para a Assembleia Legislativa”, explicou Rossoni.

Governo e FES divergem sobre o projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2017 enviado à Alep. Enquanto o Estado prevê crescimento zero do PIB (Produto Interno Bruto), os servidores se baseiam em projeção do Boletim Focus, do Banco Central, que indica crescimento do PIB em 1,5% no Paraná. Para o Executivo, o reajuste dos servidores no ano que vem custaria R$ 2,1 bilhões, contra R$ 1,9 bilhão na conta do FES.

A promessa de reajuste foi feita para acabar com a greve dos servidores, que aconteceu no ano passado, durou 44 dias e ficou marcada pela violência do dia 29 de abril.

Ocupações

Após a determinação de reintegração de posse emitida pela Justiça, 450 escolas, entre elas o Colégio Estadual do Paraná, o maior do estado, continuam ocupados por estudantes que protestam contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos públicos e a reforma no ensino médio proposta pelo presidente Michel Temer. O número foi divulgado pelo movimento Ocupa Paraná.