Após 17 anos, irmão de prefeito é condenado por mandar matar candidato no PR

Fernando Garcel com Narley ResendeO Tribunal do Júri de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, condenou..

Fernando Garcel - 24 de março de 2017, 18:27

Fernando Garcel com Narley Resende

O Tribunal do Júri de Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, condenou Azemir João de Barros, irmão do ex-prefeito de Almirante Tamandaré Antonio Cesar Manfron de Barros (PSC), chefe do Executivo da cidade nas gestões de 1997-2000 e 2001-2004, por mandar matar um pré-candidato a prefeitura em 2000. Ele foi condenado a 16 anos, sete meses e 15 dias de prisão. Ainda cabe recurso.

O homem é irmão do prefeito que ocupava o cargo naquele ano e teria encomendado o crime porque a vítima seria um forte candidato contra a reeleição do familiar.

Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), o processo demorou mais de quinze anos por estratégias da defesa e outras circunstâncias. "Todos os procedimentos processuais que poderiam ser utilizados nesses autos foram utilizados", diz a promotora Simone Berci Françolin.

A vítima, Miguel Siqueira Donha, pré-candidato pelo PPS à prefeitura de Almirante Tamandaré, tinha fortes laços políticos e tinha chances reais de sair vitorioso das eleições de 2000. Ele retornava de um casamento em Santa Felicidade com a esposa quando foi abordado por dois homens no portão da chácara onde morava e foi levado até Rio Branco do Sul. A mulher foi deixada na estrada e os homens seguiram com a vítima.

De acordo com a denúncia do MPPR, Azemir foi responsável pela contratação de Antonio Vidal, um guarda municipal da prefeitura, que foi responsável pela contratação de outras duas pessoas que foram efetivamente responsáveis pelo sequestro do adversário político, como meio de intimidá-lo para que desistisse de se candidatar à prefeitura. No local, ele foi baleado na perna e sangrou até a morte. "A ordem do mandante é que fosse dado 'um susto', mas a vítima foi deixada em local ermo e não teve socorro. Por isso foi configurado o homicídio", diz Simone.

Segundo as investigações, o pagamento pelo crime foi R$ 300 e um cargo na prefeitura de Almirante Tamandaré. As investigações apontam que o guarda municipal teria recebido R$ 3 mil, mas o valor não foi rastreado. Mesmo após a prisão, o guarda municipal continuou a receber valores da prefeitura. "Isso também levou as investigações para o grupo político", diz a promotora.

Cúmplices

Dois cúmplices do crime já faleceram. Um deles morreu depois de comer salgadinho com caco de vidro dentro da cadeia, segundo o MPPR. Condenado em 2014, o terceiro elemento do homicídio foi condenado a 13 anos e 7 meses de prisão em regime fechado e está foragido.