Após faltar audiência, Justiça nega pedido de viagem do médico acusado de matar fisiculturista

A juíza Tais de Paula Scheer, substituta do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Curitiba, ne..

Francielly Azevedo - 22 de fevereiro de 2019, 06:58

Foto: Divulgação MP
Foto: Divulgação MP

A juíza Tais de Paula Scheer, substituta do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Curitiba, negou nesta quinta-feira (21) um pedido de autorização de viagem do médico Raphael Suss Marques. Ele é acusado de matar a namorada e fisiculturista Renata Muggiati, em setembro de 2015.

O médico pediu para se ausentar de Curitiba de 22 até 24 de fevereiro para ir até Balneário Camboriú, em Santa Catarina. A justificativa seria que ele teria que realizar atendimento médico aos seus pacientes naquele município, junto ao Studio Equilibrium. A defesa indicou o hotel e horários em que o réu estaria naquela cidade.

Em janeiro, o Suss Marques foi flagrado em um torneio de poker, no mesmo momento em que acontecia a audiência de instrução do caso que investiga o crime. Na ocasião, o médico justificou que teria compromissos de trabalho e não poderia comparecer ao juízo. Dessa maneira, ele desobedeceu uma proibição de frequentar bares e similares.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) se manifestou contra o pedido, após a informação falsa passada pelo médico para faltar a audiência. "O Ministério Público apresentou parecer desfavorável ao pleito do réu, ao apontar que não foram comprovadas as consultas que se encontram supostamente agendadas. Ainda, que em razão de sua atividade de médico, em data de 23/01/2019, seu defensor pleiteou a dispensa do monitorado em audiência de instrução e julgamento, para que pudesse dar atendimento a seus pacientes, todavia, ele teria se dirigido até um clube de pôquer para participar de um

campeonato", disse o MP-PR.

A juíza acompanhou a recomendação do MP-PR e negou o pedido. "Verifica-se dos autos que todos os pedidos de autorização de viagens anteriormente deduzidos foram deferidos, contudo fatos novos sobrevieram ao feito e estão diretamente relacionados a conduta do réu frente as medidas cautelares fixadas e o monitoramento eletrônico, o que neste momento justifica o indeferimento do requerimento", justificou a magistrada.

O CASO

Marques é acusado de asfixiar e depois jogar o corpo da namorada do 31º andar do prédio onde morava, no Centro de Curitiba. Ele responde por lesão corporal, homicídio qualificado e fraude processual. O médico nega o crime e afirma que Renata se jogou e que ela estava em depressão.

Raphael Suss Marques chegou a ser preso pela morte da fisiculturista. Mas foi solto. Quando respondia em liberdade, foi detido novamente, dessa vez denunciado por agredir outra namorada. Nesse caso, ele foi condenado, em maio de 2017. Atualmente o médico segue em liberdade, sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.