APP acusa ‘quebra de compromisso’ e Richa diz que ‘não será intimidado’

Redação


Com informações de Tabata Viapiana, repórter da CBN Curitiba

Cerca de 50% dos professores da rede estadual de ensino cruzaram os braços nesta segunda-feira, de acordo com balanço divulgado pela APP Sindicato. A pauta da greve possui ao todo cinco itens – o mais importante é a retirada do projeto de lei do governo do Estado, enviado à Assembleia Legislativa, que revoga o reajuste salarial do funcionalismo público.

Os professores também pedem o pagamento de promoções e progressões, a equiparação dos salários dos funcionários agente 1 ao piso mínimo regional, o reajuste do auxílio-transporte para os profissionais PSS, e a retirada da falta em razão de um ato realizado no dia 29 de abril de 2016.

Segundo o presidente do sindicato, Hermes Leão, o governo quebrou o acordo firmado com os servidores ainda em 2015, de que não apresentaria projetos que retirassem direitos dos trabalhadores, e em caso de grave crise financeira, seria realizado um amplo debate para chegar a um consenso entre as partes.

“O governo quebrou compromissos da greve anterior, enviando projeto de lei que retira direitos de servidores. Professores e funcionários de escolas são componentes da categoria com os mais baixos salários, mesmo no Poder Executivo”, aponta.

O governo do Estado afirma, agora, que não pode cumprir o acordo em razão da baixa arrecadação e disse que vai priorizar o pagamento das promoções e progressões de 80 mil dos 240 mil servidores ativos.

Durante um evento no Palácio Iguaçu, o governador Beto Richa afirmou que precisa ser responsável com as finanças do estado e que não vai se “intimidar” com pressão de sindicatos.

“O Paraná é o único Estado do Brasil que neste ano garantiu reajuste, pagou reajuste para servidores. E não é pouco, não. 10.66%. E alguns ainda, sindicatos, instigam servidores a cruzar os braços e entrar em greve. Se aqui no Paraná agem desta forma, o que esses sindicatos não fariam nos outros estados? Marariam os governadores? O dinheiro vem de um lugar só. Se eu não for responsável, equilibrado, nos investimentos do Estado, vai faltar dinheiro para a Saúde, para rodovias (…) Eu não vou me intimidar com sindicatos ligados ao PT”, disse Beto Richa.

A APP Sindicato nega que a greve tenha motivações partidárias e ainda contesta a informação de que não haveria dinheiro em caixa. Segundo Hermes Leão, esse é um discurso antigo do Governo, que não convence mais os servidores.

“O Estado do Paraná tem condições de manter os direitos dos servidores, inclusive da data base. É o principal reajuste de qualquer categoria do serviço público ou privado no nosso país. Não é aumento de salário. É apenas a reposição inflacionária dos 12 meses”, afirma.

“Esse discurso de que não há dinheiro é o mesmo utilizado em janeiro e fevereiro de 2015. O governo insistia em dizer que não dava para pagar promoções e progressões e fazer o tema da data base. Nós fizemos a luta da categoria e o apoio da sociedade mostrou e comprovou que o Estado tinha sim como pagar os direitos”, diz o presidente da APP.

Uma reunião já está marcada entre os professores e o governo para esta quarta-feira, com a presença do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, para falar aos servidores sobre o congelamento do reajuste salarial. Representantes de sindicatos membros do Fórum Estadual de Servidores (FES) também participam da reunião.

Após a reunião, os sindicatos vão avaliar a necessidade de convocação de assembleias. No dia 25 de outubro, deve ocorrer um ato estadual de servidores de diversas categorias em Curitiba.

 

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