Apreensões de bebidas alcoólicas crescem 97% durante a pandemia no Paraná

Rafael Nascimento

Apreensões de bebidas alcoólicas cresce na pandemia, diz Receita Federal

As apreensões de bebidas alcoólicas cresceram 97,6% no Paraná durante o período de pandemia da covid-19 em 2020, de acordo com levantamento feito pela Receita Federal do estado a pedido do Paraná Portal.

Segundo a Receita, durante o ano de 2019 o volume de apreensões de bebidas alcoólicas no estado foi de R$ 3,53 milhões. Em 2020, ao longo do período de pandemia a partir de março, as apreensões por contrabando, quando mercadorias proibidas ingressam ilegalmente no país, e descaminho, onde os fiscais identificam a entrada de ítens sem o recolhimento dos tributos, de bebidas quase dobraram, somando R$ 6.98 milhões – variação de 97,6%.

O crescimento fez com que as bebidas alcoólicas entrassem no rol das cinco mercadorias mais apreendidas no Paraná, atrás apenas de cigarros, eletroeletrônicos, artigos de informática e veículos.

O principal volume desses produtos contrabandeados, especialmente vinhos e destilados, tem como origem a Argentina e o Paraguai, pela região fronteiriça com o extremo Oeste do Paraná. 

Nem mesmo o fechamento das fronteiras dos países vizinhos foi capaz de frear o contrabando e o descaminho das mercadorias. A Argentina fechou suas fronteiras terrestres no início de 2020, como forma de conter o avanço da covid-19 no país, impedindo o fluxo turístico de brasileiros que visitavam o país vizinho em busca dos produtos. 

A pandemia também impôs a restrição de circulação de pessoas e veículos nas fronteiras terrestres com o Paraguai. A Ponte Internacional da Amizade, principal ligação do país com o Brasil, foi fechada em março do ano passado e reaberta sete meses depois, em outubro.

O levantamento da Receita Federal indica ainda que só nos primeiros três meses de 2021 foram apreendidos R$ 2.53 milhões em bebidas alcoólicas no estado.

Apreensões de bebidas alcoólicas cresce na pandemia

O balanço do órgão contabiliza as apreensões realizadas diretamente pela Receita Federal no Paraná, sejam em portos, aeroportos ou fronteiras terrestres, e ainda em operações conjuntas e em ações de fiscalização das forças de segurança que atuam no estado, como a Polícia Militar (PMPR), o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), repassadas à Receita.

“Quando somamos todo o conhecimento e experiência que cada órgão público tem em sua área de atuação, conseguimos resultados muito superiores. Esta é a maneira mais efetiva de combater o crime organizado”, destaca o auditor-fiscal Tsuyoshi Ueda, chefe da Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho da Receita Federal na 9ª RF (Paraná e Santa Catarina).

Ainda conforme a Receita Federal, o combate à entrada de vinhos de maneira ilegal no Brasil busca proteger a indústria nacional e combater a concorrência desleal, já que comerciantes que realizam a importação legal das bebidas não conseguem manter a competitividade frente aos sonegadores e acabam fechando as portas, aumentando o desemprego.

Além disso, os vinhos que ingressam irregularmente não possuem controle sanitário, nem de transporte e armazenamento, o que pode causar graves prejuízos a saúde dos consumidores.

APREENSÕES DE OUTRAS MERCADORIAS CONTRABANDEADAS TAMBÉM CRESCEM NO PARANÁ

A Receita Federal no Paraná também identificou o crescimento geral das apreensões em 2020, levando em conta os principais itens, na ordem dos R$ 660 milhões, no comparativo com o ano anterior, onde as apreensões somaram R$ 642,74 milhões – variação de 2,69%. O resultado parcial de apreensões em 2021 é de R$ 200 milhões no primeiro trimestre.

Além das bebidas alcoólicas, outro produto que disparou em volume de apreensões em 2020 foram os medicamentos e itens hospitalares (aumento de 168%). 

Campeão entre os produtos apreendidos, cigarros e simulares registraram aumento de 9% nas apreensões, enquanto as apreensões de produtos de informática cresceram 40,3% em 2020. Já os eletrônicos, também populares no mercado ilegal, sofreram redução de 21% no volume de apreensões.

Confira os cinco principais itens apreendidos pela Receita Federal nos últimos anos:

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