Todos os presos por assalto no Paraguai até agora são brasileiros

Narley Resende


Nas primeiras 42 horas de operação integrada de forças de segurança, chegou a 14 o número de presos – além de três mortos em confronto – pelo assalto milionário à sede da empresa Prosegur em Ciudad del Este, no Paraguai, a 4 km da fronteira com o Brasil.

Um balanço da PF (Polícia Federal) às 18h informava 10 presos, mas depois disso outros dois com “fortes indícios” de participação foram detidos no posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Laranjeiras do Sul, na região central do Paraná, em um ônibus que ia para o Rio de Janeiro. E outros dois durante a madrugada.

Desde a explosão do cofre da empresa, na madrugada da última segunda, órgãos de segurança dos dois países, liderados pela PF, conseguiram recuperar cerca de R$ 4,65 milhões: foram 1,275 milhões de dólares (R$ 4,02 milhões), 733,64 milhões de Guaranis (R$ 413,6 mil) e mais R$ 219 mil.

Nem as autoridades nem a Prosegur divulgaram oficialmente quanto foi roubado. Inicialmente a polícia paraguaia estimou US$ 40 milhões (cerca de R$ 120 milhões), mas um executivo da Prosegur na Argentina disse à Rádio Mitre, de Buenos Aires, que “apenas” US$ 9 milhões (R$ 28,3 milhões) teriam saí- do do cofre da empresa.

Até agora todos os presos são brasileiros e todos os enfrentamentos com a polícia ocorreram no Paraná, nas cidades de Itaipulândia e São Miguel do Iguaçu, a 45 km e 80 km do local do crime.

A única ocorrência em território paraguaio foi em Itakyry, vilarejo a 100 km a noroeste de Ciudad del Este. Parte da quadrilha teria sido vista no local, mas a suspeita não se confirmou.

lado brasileiro teriam sido apenas “bois de piranha” – para que a maioria fugisse para o interior do Paraguai –, a PF contestou a hipótese. “Não existe crime perfeito. Por mais que tenham planejado, nem tudo que eles planejaram saiu como idealizado”, disse o delegado Fabiano Bordignon, da PF.

Segundo Bordignon, ainda não se conseguiram confissões relevantes nos depoimentos dos presos. “Os interrogatórios foram muito preliminares”, diz o delegado. “Não houve nenhuma colaboração. São criminosos que não vão fazer, provavelmente, uma delação premiada. É outro tipo de criminalidade, que não se entrega”, afirma.

Quadrilha usava mansão como base

Na madrugada de ontem a polícia paraguaia identificou uma casa de alto padrão em Ciudad del Este que serviria como base de operações para a quadrilha antes do crime.

Segundo a PF (Polícia Federal), peritos recolheram na casa material genético que será analisado em Brasília para auxiliar na investigação.

“Vai acontecer de o sujeito ser abordado sem materialidade [no momento da prisão], mas se o DNA bater, ele vai estar ligado ao local de crime”, diz o delegado Bordignon.

Suposto líder foi preso em ônibus

Um dos detidos foi encontrado dentro de um ônibus da rodoviária de Cascavel, no Oeste do Paraná, tentando embarcar para São Paulo. Natural de São Paulo, o homem estava com um RG falso de Itajaí-SC.

Segundo a PF o suspeito de 37 anos estava ferido e sujo de lama, e já é conhecido da polícia.

A PF suspeita que um dos mentores do crime seja o paranaense Luciano Castro, o “Zequinha”, de 42, já condenado por assaltos a carro-forte no interior paulista e foragido da Justiça.

Com Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

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