Associação de policiais repudia prisão de PMs envolvidos em chacina

Andreza Rossini


A Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná (Assofepar) emitiu uma nota de repúdio a operação da própria PM, conduzida pela Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), contra suspeitos de participar da chacina de Londrina, no norte do Paraná.

Oito policiais militares foram presos em uma operação conjunta das polícias Civil e Militar na última sexta-feira (13). Dois policiais foram autuados por porte ilegal de munição durante o cumprimento de ordem de condução coercitiva, eles pagaram fiança e foram liberados. Seis permanecem presos. Outros 25 mandados de busca apreensão e seis de condução coercitiva foram cumpridos pelos policiais.

A associação se posicionou favorável a investigações sérias, mas afirmou que a operação de sexta (13) foi pautada em um “espetáculo midiático” e expôs os policias presos. A entidade afirmou que vai acompanhar o caso e tomar providência sobre os abusos cometidos. A Sesp respondeu aos questionamentos e afirmou que solicitou informações sobre o caso ao Comando Geral da Polícia Militar.

O caso

Pelo menos 12 pessoas foram mortas entre os dias 29 e 30 de janeiro deste ano, em Londrina, no norte do estado, depois de um assassinato de um policial militar na zona norte da cidade. Além das mortes, as unidades de saúde do município registraram a entrada de pelo menos 16 pessoas baleadas no mesmo período.

A chacina teria acontecido como forma de retaliação a morte do policial militar.

Homens encapuzados invadiram residências e bares disparando a esmo, segundo testemunhas. Entre os mortos, pelo menos cinco tinham antecedentes criminais. No dia, alertas foram disparados pelo WhatsApp à população para que deixassem as ruas devido a um possível confronto entre a PM e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

“Quem matou os 20?”

Em abril, um grupo de ativistas da periferia de Londrina, norte do Paraná, pichou dois dos principais edifícios do centro da cidade, nessa quarta-feira (6), com a pergunta “quem matou os 20?”.  O manifesto faz referência às pessoas mortas no último final de semana de janeiro na maior chacina registrada na história do município de 550 mil habitantes, e a maior do Brasil em 2016.

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Veja na íntegra a nota da Assofepar

NOTA DE REPÚDIO

A Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná – ASSOFEPAR, por decisão dos seus Conselheiros, vem a público repudiar veementemente a forma desrespeitosa com que a Família Militar Estadual foi tratada no dia de ontem (13/05/16), por ocasião da prisão e condução coercitiva de Policiais Militares lotados na cidade de Londrina/PR.

Somos favoráveis à condução de investigações sérias e responsáveis, pautadas no interesse público e nas garantias constitucionais. Exigimos que a presunção de inocência, assim como o direito à ampla defesa e ao contraditório, sejam rigorosamente observados. Não podemos compactuar com o desrespeito aos Militares Estaduais, que se dedicam continuamente ao socorro da população paranaense, em todos os municípios deste Estado, muitas vezes com o sacrifício da própria vida.

Por interesses ainda não totalmente compreendidos, mas que denotam intenções voltadas à repercussão midiática, a ”operação policial” pareceu mais com um espetáculo circense. Profissionais e pessoas inocentes, perante os seus familiares, foram expostos a constrangimentos totalmente injustificados, descabidos e inaceitáveis.

Destacamos que os Militares Estaduais carregam nas costas a maior parcela da segurança pública deste Estado. Além das ações de Polícia Militar e Bombeiro, viabilizam os trabalhos da SESP, DIEP, GAECOS, Forças Tarefas e Assessorias, nos diversos órgãos e instituições.

A ASSOFEPAR, por meio do seu Departamento Jurídico e de Direitos Humanos, está acompanhando esse caso e tomando providências contra os abusos cometidos.

Conclamamos os Militares Estaduais, para que não sejam complacentes com ”encenações teatrais”, montadas para projetar pessoas e instituições, maculando a imagem da Corporação e de seus integrantes.

Esperamos resposta da SESP, sobre a sua participação neste infeliz episódio, bem como das medidas tomadas para evitar a prevalência de interesses escusos às custas da dignidade dos profissionais da segurança pública.

RESPEITO! É o mínimo que se espera!

Também por meio de nota, a Sesp-PR respondeu aos questionamentos.

Sobre a “nota de repúdio” emitida pela Assofepar aos veículos de imprensa, a Secretaria da Segurança Pública (Sesp) informa que encaminhou ofício ao Comando Geral da Polícia Militar para que informe se houve abuso ou irregularidade de qualquer natureza durante o cumprimento dos mandados exarados pela Justiça em face de policiais militares – mandados estes cumpridos exclusivamente pela Polícia Militar. Bem como apresente relatório acerca de eventual vazamento de informações ou exposição dos presos à imprensa.

A Sesp soma-se à Assofepar nos argumentos expostos e ratifica a importância da Polícia Militar do Paraná no contexto da Segurança Pública e vai tomar todas as medidas exigidas para a garantia dos direitos fundamentais e do pleno exercício do direito de defesa e contraditório dos policiais militares.

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