Ato contra a ditadura militar reúne mais de duas mil pessoas em Curitiba

William Bittar - CBN Curitiba


Mais de duas mil pessoas, segundo a organização, participaram de um ato contra a ditadura militar neste domingo (31), em Curitiba, quando o golpe de 1964 completou 55 anos.

Com faixas e cartazes com repúdio à ditadura militar e críticas ao presidente Jair Bolsonaro, os manifestantes se reuniram na Praça 19 de Dezembro, no Centro, e seguiram em caminhada até a Boca Maldita.

Durante o protesto, algumas pessoas puxavam cantos na caixa de som com músicas da época da ditadura militar como “Pra não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, que foi chamada de “Caminhando” e se transformou no hino da resistência durante o regime de 64.

A caminhada foi definida com trajetos para que os manifestantes passassem por alguns lugares de tortura em Curitiba, como a antiga Delegacia de Ordem Política e Social, na João Negrão, onde atualmente ficam apenas lojas e salas comerciais, mas que na época era utilizada para interrogar pessoas que eram presas e depois levadas para prisões na capital, e também locais de resistência da época do regime militar como a Casa do Estudante e o Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná.

Uma das organizadoras do manifesto, Ana Spreizner, falou sobre o ato realizado neste domingo e afirmou ser um manifesto pela democracia. “Se a gente não esquecer, a gente sempre vai resistir contra. Quem apoia não conhece a história”, diz.

A Maria Rosa tem 76 anos e participou do evento. Ela fez questão de relembrar que teve um amigo torturado durante a ditadura e que o protesto é uma forma de dizer que ela não quer que os mais jovens passem por isso algum dia.

Quem também vivenciou a época da ditadura militar foi a Maria Aparecida. Ela morava em Mandaguaçu, no interior do estado, e contou que o pai dela, que era farmacêutico, precisou ficar anos longe da família por conta das ameaças do regime.

Muitos manifestantes foram vestidos de preto, também como forma de protesto e luto pelas vítimas da ditadura. De acordo com a Comissão da Verdade, criada em 2011 para investigar violações dos direitos humanos entre 1946 e 1988, mais de 430 pessoas foram mortas pelo regime militar ou desapareceram, mas apenas 33 corpos foram localizados.

Nas redes sociais, a hashtag #DitaduraNãoSeComemora chegou a ser um dos assuntos mais comentados. Por outro lado, apoiadores do governo utilizaram a hashtag #PatriaAmadaBrasil para rebater as críticas ao regime militar.

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