Bebê abandonado é filho de irmãos que não se conheciam

Narley Resende


Com Daiane Andrade, BandNews FM Curitiba

A Polícia Civil já sabe quem são os pais do recém-nascido encontrado dentro de uma caixa de sapatos no Centro de São José dos Pinhais, na Grande Curitiba. Trata-se de um casal de irmãos: um rapaz de 18 anos de idade e uma adolescente de 17.

Em depoimento, a garota confessou ser a mãe do menino de poucos dias de vida que foi deixado em uma calçada na frente de uma casa; já o pai é chacareiro e somente nesta quarta-feira (28) foi identificado e localizado. Ele ainda não foi ouvido pelas autoridades.

Segundo a delegada Tathiana Laiz Guzella, titular da Delegacia da Mulher e do Adolescente de São José dos Pinhais, que conduz o caso, o relacionamento do casal começou sem que eles soubessem do parentesco. E toda a história do abandono do bebê só começou a se desenrolar depois da divulgação de uma foto da criança pelas autoridades e de uma peça de roupa, que foi reconhecida.

“A delegacia regional recebe um telefonema anônimo, de uma mulher dizendo que doou aquela roupa para o hospital de Tijucas do Sul. Até então as investigações corriam em uma delegacia regional. Não se sabia que se tratava de uma adolescente. Com isso, o delegado que está de plantão na delegacia regional acionou a delegacia lá de Tijucas do Sul para continuar a investigação do caso por lá. Chegando lá no hospital foi constatado que realmente se tratava de uma adolescente, que aquela roupa tinha sido doada por eles. Neste meio tempo, esta adolescente não tinha contado para a mãe que estava grávida, que não fez pré-natal, que tinha a criança. Mas chegando em casa ela contou pra mãe. No outro dia de manhã a mãe (avó) procura, isso lá em Tijucas do Sul, procura o conselho tutelar contando a história”, explica a delegada.

Na maternidade para onde o bebê foi levado, as enfermeiras perceberam sinais do teste do pezinho, o que comprovava que o parto havia sido feito em uma maternidade. O que os investigadores não imaginavam, no entanto, era que o recém-nascido é fruto de uma trama que nem parece real.

Irmãos

“Descobriu-se que essa criança, esse bebê, é filho de dois irmãos de pai e mãe. Todavia, segundo as informações da própria adolescente, que já foram colhidas ontem na delegacia, ela conheceu o irmão sem saber que era o irmão. Ela conta que o pai e a mãe dela, quando ela estava ainda na barriga da mãe, teriam se separado. E esse irmã um pouco mais velho que ela teria ido embora com o pai. A mãe teria ficado com ela. E o casal perdeu o contato. Anos depois, 16 anos depois, eles sem saberem que são irmãos passam a se relacionar, passam a ter um envolvimento, passam a namorar. Já namorados em Tijucas do Sul, eles marcam um encontro para um conhecer a família do outro. E neste encontro, um churrasco, eles descobrem toda esta trama da vida”, conta a delegada.

Mesmo sabendo que são irmãos, os dois continuaram a se relacionar por um tempo, até que a adolescente engravidou. Ao receber a notícia, o jovem foi embora e deixou a irmã grávida. Acuada, a adolescente então voltou a se relacionar com o antigo parceiro, de 23 anos, com quem ela tem outra filha, de um ano e meio.

Abandono

“Escondem a gravidez, não fazem pré-natal, e quando chega o momento ela vai até o hospital e diz que gostaria de doar a criança. E diz para o padrasto da criança, para o marido atual dela, que é o pai do outro filho dela, que já tem uma família para doar essa criança. Quando a criança nasce ele diz ‘então vamos doar essa criança para a família’. Quando ela conta ‘não tenho nenhuma família para doar esta criança, vou deixar na porta de uma casa’, ele, segundo ele, não concordo. Disse que não quer nem ver, que fica num posto aguardando ela. A adolescente então diz que caminhou por uns 20 minutos, achou um portão, e deixou a criança. Não bateu na porta da casa, nem tocou em campanha alguma, e volta pra casa, conta pra mãe. Então, o desfecho é esse”, finaliza Tathiana Laiz Guzella.

A adolescente foi autuada por abandono de incapaz e o marido dela deve responder por coautoria do crime. Já o pai do bebê não deve ser envolvido no processo, porque não participou do “plano” da irmã.

Apesar de ter enfrentado condições adversas, o recém-nascido – que está internado no Hospital São José – passa bem. Lá, ele ganhou o nome de Lucas e, conforme a delegada, deve ser encaminhado a um abrigo ainda nesta quarta-feira. Tanto a mãe quanto o pai quanto a família do casal, que é a mesma, pode requerer a guarda. Se isso não acontecer, a criança deve ser encaminhada para adoção.

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