Por ano, cerca de 30 mil bebês nascem com cardiopatias congênitas no Brasil

Francielly Azevedo e Assessoria


Nesta quarta-feira (12) é celebrado o Dia da Conscientização da Cardiopatia Congênita. Todos os anos, no Brasil, cerca de 30 mil bebês nascem com esses tipos de doença, que são relacionadas tanto à estrutura quanto à função do coração. No Paraná, o Hospital Pequeno Príncipe é referência nacional em atendimentos a recém-nascidos com até 29 dias de vida. A instituição foi responsável pelo primeiro transplante cardíaco pediátrico feito com sucesso no estado. Somente em 2018, foram 496 cirurgias, um transplante de coração e 37 transplantes de válvula cardíaca.

Uma das maneiras de garantir o tratamento mais adequado aos meninos e meninas que são afetados por essas enfermidades é a realização do pré-natal. Por meio de uma série de exames, é garantido o acompanhamento detalhado da saúde do bebê e da gestante, além de ser possível diagnosticar precocemente essas cardiopatias.

“Para que seja feito um tratamento adequado dos bebês com cardiopatia congênita, o ideal é a realização de um pré-natal por meio do qual seja feito o diagnóstico das alterações cardíacas, extracardíacas, de arritmias e síndromes”, ressalta a cardiologista pediátrica da instituição, Cristiane Binotto.

Segundo a médica, com esse diagnóstico, o recém-nascido poderá nascer em um hospital que possa proporcionar um atendimento multidisciplinar ao paciente, tendo à disposição uma UTI Neonatal, o acompanhamento de um pediatra e de um cardiologista, além de um serviço de cirurgia cardíaca e de cirurgia geral neonatal. “O recém-nascido será, então, atendido de forma completa, eficiente e rápida, evitando, assim, lesões neurológicas, por exemplo”, completa.

A cardiologista do Pequeno Príncipe afirma que um fato que ainda ocorre com muita frequência é o nascimento de bebês sem o diagnóstico pré-natal de cardiopatia congênita. “O ideal seria que as gestantes fizessem a ecografia morfológica e a ecocardiografia fetal no pré-natal, porém esses exames não são feitos de rotina. Com isso, os bebês nascem em maternidades de baixo risco e, até o diagnóstico ser feito, correm risco de ir a óbito, de fazer hipóxia (quando há insuficiência de oxigênio no sangue, nas células ou nos tecidos) e de apresentar lesões definitivas”, explica Cristiane.

O QUE SÃO CARDIOPATIAS CONGÊNITAS

As cardiopatias congênitas são doenças que são diagnosticadas no período fetal ou neonatal, ao nascimento do bebê. Elas são classificadas como cardiopatias simples ou cardiopatias ducto-dependentes, que necessitam de cirurgia nos primeiros dias de vida. Essas enfermidades afetam 8 bebês a cada 1.000 nascidos vivos, sendo que de 1 a 2 casos são de recém-nascidos que têm cardiopatias ducto-dependentes.

As cardiopatias congênitas são a terceira maior causa de morte de bebês antes do 30º dia de vida, de acordo com dados do Ministério da Saúde. As doenças correspondem a 10% das causas de óbitos infantis, bem como 20% a 40% das mortes decorrentes de malformações. Por isso, a conscientização sobre a detecção precoce e o tratamento adequado das cardiopatias congênitas é tão importante.

IDENTIFIQUE OS SINAIS

  • Em bebês: pontas dos dedos e/ou língua roxa; transpiração e cansaço excessivos durante as mamadas; respiração acelerada, enquanto descansa; dificuldade em ganhar peso; e irritação frequente e choro sem consolo.
  • Em crianças: cansaço excessivo durante a prática de atividades físicas e dificuldade de acompanhar o ritmo de outros garotos e garotas; crescimento e ganho de peso de forma não adequada; infecções pulmonares repetitivas, lábios roxos e pele mais pálida quando brinca muito; coração com ritmo acelerado; e desmaio.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.