Ação contra Beto Richa adia interrogatórios do Caso Daniel

Angelo Sfair

Daniel - Edson Brittes - MPPR


A Justiça de São José dos Pinhais deve adiar os interrogatórios com os réus do Caso Daniel que estavam marcados para os dias 5, 6 e 7 de agosto. O motivo é o conflito de datas com audiências envolvendo um processo que tem entre os réus o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB).

A ação que apura a morte do ex-jogador Daniel Corrêa Freitas e o processo que investiga supostas fraudes em uma licitação para estradas rurais do Paraná não têm nenhuma ligação. Acontece que um mesmo advogado defende réus nos dois processos simultaneamente.

O advogado Rodrigo Faucz atua na defesa do ex-secretário de Infraestrutura e Logística, Pepe Richa (irmão do ex-governador Beto Richa). O patrono também defende de Ygor King e David Willian Vollero da Silva — dois dos sete acusados pela morte de Daniel.

“Acontece que a data marcada para os interrogatórios do Caso Daniel são conflitantes com outros compromissos profissionais”, explicou Rodrigo Faucz ao Paraná Portal.

Na última sexta-feira (21), o advogado protocolou uma petição na 1.ª Vara de São José dos Pinhais – município da região metropolitana de Curitiba (RMC) onde ocorreu o assassinato do ex-jogador – pedindo a remarcação dos interrogatórios.

As audiências com testemunhas do processo que envolve o ex-governador Beto Richa e seu irmão, Pepe Richa, foram marcadas em maio pela 13.ª Vara Criminal de Curitiba — 18 dias antes de a Justiça de São José dos Pinhais designar os interrogatórios.

Por esse motivo, segundo apurou a reportagem, os réus do Caso Daniel devem ser ouvidos a partir do dia 12 de agosto. Cabe à juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1.ª Vara de São José dos Pinhas, confirmar as novas datas.

O advogado Rodrigo Faucz justificou, em petição, que a ação envolvendo suspeitas de fraudes em obras de estradas rurais “trata-se de um processo com 13 acusados, de alta complexidade e que já foram expedidas diversas cartas precatórias”.

Interrogatórios

A Justiça de São José dos Pinhais se encaminha para decidir se os acusados pela morte de Daniel Corrêa Freitas vão, ou não, à júri popular. O interrogatório dos réus marca a última fase da instrução penal. Depois disso, defesa e acusação devem apresentar as alegações finais, por escrito, para que juíza determine a forma de julgamento.

O caso

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro de 2018. A festa aconteceu em uma casa noturna do bairro Batel. A comemoração se estendeu para a casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. No ‘after party’, ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27/10), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

Edison afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos. Eles teriam inventado uma história para justificar o crime.

Os acusados

Respondem pelo crime o comerciante Edison Brittes, assassino confesso de Daniel; Cristiana Brittes, esposa de Edison; Allana Brittes, filha do casal; Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Vollero Silva e Evellyn Brisola Perusso.

Dos suspeitos, apenas Evellyn Brisola Perusso, responde o processo em liberdade. Os outros seis foram detidos poucos dias após o crime:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho

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