Bibinho deixa a prisão por determinação da Justiça

Jordana Martinez


BandNewsCuritiba

O ex-diretor da Assembleia Legislativa do Paraná, Abib Miguel, conhecido como Bibinho, está novamente em liberdade. Ele deixou o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Grande Curitiba, em 28 de dezembro de 2017 – 41 dias depois de ser preso preventivamente, em 17 de novembro – mas somente agora a informação veio à tona.

A decisão é do juiz Acácio de Moura, que concedeu uma liminar revogando a prisão do ex-diretor da Alep por considerar que não havia mais necessidade de mantê-lo detido. Por outro lado, ele precisa ficar em casa e sob o monitoramento de uma tornozeleira eletrônica.

O advogado de Bibinho, Eurolinho Sechinel dos Reis, explica que a medida é fruto não necessariamente de um bom argumento da defesa.

“O que levou mais à soltura é a falta de argumento do Gaeco. Qual é o argumento deles; que Abib Miguel estaria extraindo madeira. Ele está em casa, com tornozeleira eletrônica.  Você sai de um sujeito que era diretor da assembleia, que tem um patrimônio muito grande antes de entrar na assembleia, que isso fique claro, e de repente você vê o cara roubando madeira… olha só que coisa mais absurda”, afirmou.

Bibinho foi preso durante a Operação Castor, deflagrada pelo Gaeco, que é um braço do Ministério Público do Paraná. A força-tarefa investiga uma quadrilha que atua na extração ilegal de madeira de uma propriedade do ex-diretor da Assembleia Legislativa em Rio Azul, na região central do Paraná.

Na verdade as terras estão bloqueadas por ordem da Justiça e não podem ser exploradas. A suspeita é a de que Abib Miguel tenha construído até uma estrada para escoar a madeira retirada do local. Além de Bibinho, a operação também envolveu propriedades do prefeito de Rio Azul, Rodrigo Solda, do PSDB, e de familiares do político.

O ex-diretor da Alep já foi condenado duas vezes por peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os anos de 1997 e 2010, ele teria sido responsável pelo desvio de R$ 216 milhões via contratação de, ao menos, 97 funcionários “fantasmas” no Legislativo Estadual. Segundo a denúncia, os recursos eram “lavados” por meio da aquisição de imóveis urbanos e rurais colocados no nome dele e de parentes de onde eram extraídos minérios e madeira, além da exploração agrícola.

Essas propriedades, bloqueadas pela Justiça, ficam no Paraná, Tocantins, Goiás, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Santa Catarina e São Paulo.

A reviravolta no caso veio quando Abib Miguel teve as condenações anuladas pelo Tribunal de Justiça do Paraná. O entendimento dos desembargadores foi o de que houve cerceamento da defesa durante a condução do processo. As ações então retornaram para a primeira instância.

Na sequência, Bibinho passou a ser réu mais uma vez e, atualmente, três ações contra ele estão em tramitação. Duas delas são sobre os desvios da Assembleia Legislativa. A outra é relacionada às investigações da Operação Argonautas.

Em 2014, Abib Miguel foi preso no Aeroporto de Brasília com R$ 70 mil em espécie dentro de uma mala entregue pelo administrador das propriedades dele em Goiás. Ele estava em liberdade e usava uma tornozeleira eletrônica por ordem do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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