Bolsonarista é indiciado por homicídio qualificado contra petista

Segundo investigação, Jorge Guaranho praticou o crime por motivo torpe. Causa política foi descartada pela delegada responsável.

Johan Gaissler - 15 de julho de 2022, 11:54

(Foto: Reprodução/Redes sociais)
(Foto: Reprodução/Redes sociais)

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) indiciou o policial penal federal e bolsonarista Jorge Guaranho por homicídio qualificado praticado contra o tesoureiro do PT, Marcelo Aloízio de Arruda.

O inquérito foi concluído na noite de quinta-feira (14) e divulgado em entrevista coletiva na manhã de sexta (15), em Foz do Iguaçu, oeste do Paraná.

"Indiciamos o autor pelo crime de homicídio qualificado pelo motivo torpe (imoral) e por ter causado perigo comum a outras pessoas que estavam no local. Tinham cerca de oito pessoas que poderiam ter sido atingidas pelos disparos", disse Camila Cecconello, delegada responsável pelas investigações.

Questionada sobre a motivação política para a realização de um possível crime de ódio, a delegada confirma que Jorge Guaranho não foi para fazer ronda no local, e sim para provocar. No entanto, ela diz que não há provas para incriminá-lo por crime político.

"Não há provas suficientes que indiquem que ele queria cometer um crime de ódio contra pessoas que pertencem a um partido político que não seja o dele", explica Camila, com base no depoimento das testemunhas.

Durante o inquérito policial, foram ouvidas 17 pessoas que estavam no local do crime, entre testemunhas e familiares dos envolvidos. Além disso, foram analisadas as imagens das câmeras de segurança do local e cumpridas diligências complementares.

POLÍCIA DETALHA COMO OCORREU O CRIME EM FOZ DO IGUAÇU

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (15), a Polícia Civil do Paraná detalhou como o crime ocorreu em Foz do Iguaçu. O guarda municipal e tesoureiro do PT, Marcelo Aloízio Arruda, foi assassinado durante a própria festa de aniversário de 50 anos.

De acordo com a delegada Camila Cecconello, Jorge Guaranho estava em uma confraternização, havia ingerido bebidas alcoólicas e ficou sabendo da realização de uma festa na ARESF (Associação Recreativa Esportiva Segurança Física de Itaipu), cujo salão estava decorado com balões vermelhos e imagens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O bolsonarista chegou ao local para provocar, segundo o inquérito. Dentro do carro dele, era tocada uma música de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), quando é iniciada uma discussão entre ele e o petista.

O policial penal federal apontou uma arma e, em resposta, o aniversariante jogou terra contra ele e o carro dele. Guaranho deixou o local e falou para a esposa e o filho: "Isso não vai ficar assim. Nós fomos humilhados. Eu vou retornar". 

Depois da saída, Marcelo Aloízio de Arruda põe a sua arma de trabalho na cintura. As pessoas que estavam no salão pediram para que o portão de entrada fosse fechado, porém, o bolsonarista retorna e consegue entrar mesmo assim.

Ao perceber o retorno de Jorge Guaranho, a esposa do petista tenta intervir e se apresenta como policial civil. Marcelo saca a arma e ambos ficam com o instrumento apontado um para o outro por quatro segundos, até o bolsonarista atirar.

O guarda municipal e tesoureiro do PT responde e também atinge o policial penal federal. O socorro foi acionado, mas Marcelo Aloízio de Arruda não resistiu aos ferimentos. Já o bolsonarista permanece internado em um hospital de Foz do Iguaçu, em estado grave