“Botão do pânico” vai acionar GM e gravar áudio em casos de violência

Andreza Rossini


Mulheres de 15 municípios do Paraná, que possuem medidas protetivas judiciais por casos de violência, vão receber um “botão do pânico”. O equipamento, assim que acionado, manda um alerta para a Guarda Municipal com a localização da vítima e começa a captar o áudio do ambiente.

Segundo Ana Claudia Machado, coordenadora de políticas para mulheres da Secretaria da Família e Desenvolvimento Social, os guardas também terão acesso as imagens da vítima, agressor e da residência da mulher. “Assim que a mulher recebe o botão ela é cadastrada, são dados dela, do agressor e fotografias colocadas em um banco de dados. Quando ela se sentir ameaçada, aciona o botão e sente uma vibração para confirmar que o sistema foi acionado e, de imediato, o dispositivo começa a gravar o áudio local. Tanto o celular instalado nas viaturas da GM quanto a central disparam um alarme e começam a mostrar as fotos e a localização da vítima para que seja feito o atendimento”, explicou.

A gravação também pode ser utilizada como prova em processos judiciais. O recurso, anunciado nesta segunda-feira (27) deve começar a funcionar no início de 2018. O investimento é de 2,6 milhões e funciona em parceria com os municípios, que precisam ter efetivo capacitado da GM para realizar os atendimentos.

Ainda de acordo com Ana, nem todas as mulheres com medidas protetivas vão receber o “botão do pânico”. “O dispositivo tem que ser dado para aquelas mulheres que estão em risco de morte. Ela vai passar por uma avaliação para verificar se tem condições de utilizar o dispositivo e se tem possibilidade de retomar a relação com o agressor, se houver, ela não recebe”, afirmou.

Como as medidas protetivas definem que o agressor não pode chegar mais próximo do que 100 m da vítima, o botão deve ser acionado nestes casos. No Paraná existem cerca de 25 mil medidas protetivas.

Municípios

Entre as cidades que vão contar com o recurso estão Curitiba, Pinhais, Campo Largo, Ponta Grossa e São José dos Pinhais. O Paraná é o primeiro estado a adotar o recurso.

A Secretária da Família e Desenvolvimento Social, Fernanda Richa, afirmou que os municípios foram escolhidos após um levantamento do Ipardes, que apontou o número de agressões em cada cidade. “É uma ação pronta, de emergência, determinada por juízes para que possamos garantir os direitos e integridade da mulher. Os municípios foram escolhidos por ter um perfil de agressão a partir de levantamentos e ter a patrulha Maria da Penha e GM. Os outros municípios devem receber o dispositivo quando tiverem condições de atender essas mulheres”, disse.

Fenanda Richa explicou que os guardas envolvidos na ação devem ser qualificados. “É um momento muito delicado, a pessoa [que atende] tem que ter uma sensibilidade muito grande e deve sim reconhecer tudo o que pode acontecer. É como um conselheiro tutelar, que muda a vida de uma família quando entra na casa”.

Segundo a inspetora Cláudia, da GM de Curitiba e coordenadora da patrulha Maria da Penha de Curitiba, os guardas levam cerca de cinco minutos para atender os casos de violência contra a mulher. Hoje, a GM monitora cerca de 6,6 mil mulheres em Curitiba.  “Vem fortalecer o que a mulher precisa, monitoramento 24 horas por dia. O chamado vai cair na nossa central de operações que vai acionar a viatura mais próxima da mulher em situação de violência”.

 

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