PF orienta que brasileiros coagidos no Paraguai procurem consulado

Narley Resende


A Polícia Federal orienta que os brasileiros que se sentirem coagidos após assalto milionário no município paraguaio de Ciudad del Este, na tríplice fronteira com o Brasil (Foz do Iguaçu) e a Argentina (Puerto Iguazú), procurem o Consulado-Geral do Brasil.

Estudantes relataram perseguição de autoridades locais após a ação, em que um grupo formado por cerca de 50 pessoas – que seriam na maioria brasileiros – assaltou a sede da empresa de transportes de valores Prosegur na madrugada desta segunda-feira (24), para roubar cerca de US$ 40 milhões (o equivalente a R$ 125 milhões).

O porta-voz da Polícia Federal no Paraná, Paulo Roberto Gomes, esclarece que os brasileiros que se sentirem acuados ou forem vítimas de eventuais abusos devem procurar a representação do Brasil no país vizinho.

“Inicialmente, o limite da Polícia Federal termina na Fronteira. O brasileiro no exterior deve reportar o fato que ocorreu no Paraguai ao consulado. Eventualmente, a Policia Federal pode atuar na região desde haja tratativa entre os governos dos dois países”, explica.

A estudante brasileira de medicina Sandra Batista Cruz, da Universidad Internacional Tres Fronteras (Uninter), relatou à rádio Bandeirantes que há temor de perseguição a brasileiros.

“Parece que os brasileiros estão sofrendo tortura lá, estão pegando os brasileiros. A gente foi comunicado para não ir à faculdade. Parece que um vigia da nossa faculdade, Uninter, foi assassinado e os policiais estão pegando todos os brasileiros que aparecerem lá e estão torturando. A gente não foi para a faculdade hoje e a gente está com muito medo, porque não sabe se vai ter represália”, conta a estudante.

Um policial, identificado como Sabino Ramón Benítez, do “Grupo Táctico de Operaciones (GEO)”, morreu na tentativa de perseguir os bandidos fortemente armados. Pelo menos outras quatro pessoas ficaram feridas.

Procurado pela reportagem, o Itamaraty ainda não se pronunciou sobre o caso.

Brasileiros lideram assalto

O jornal paraguaio La Nación informou que o assalto foi liderado por membros da facção criminosa brasileira Primeiro Comando da Capital (PCC), que também atacaram a sede da polícia e do governo. Um policial identificado como Sabino Ramón Benítez morreu no enfrentamento com os assaltantes.

O chefe da Divisão de Homicídios da Polícia de Ciudad del Este, comissário Richard Vera, afirmou que os delinquentes “transformaram em pedaços com bombas o edifício da Prosegur”.

O roubo se estendeu por mais de três horas e ficou registrado em dezenas de gravações amadoras, em que é possível ver o incêndio de veículos e ouvir o som de tiros e o estrondo das explosões. O dinheiro estava depositado em um cofre que foi aberto com uso de explosivos e fuzis antiaéreos. A informação é da Agência Télam.

Bombas ativadas

Segundo o chefe policial, ainda pela manhã os investigadores trabalhavam para desativar as bombas que os assaltantes colocaram “em pontos estratégicos da cidade”. “Há bombas ao redor do edifício, que estão sendo desativadas esta manhã. O grupo incendiou 14 veículos em pontos estratégicos da cidade para evitar que nós [a polícia] chegássemos ao local. Abandonaram veículos blindados com bombas ativadas”, relatou o comissário Vera ao canal TN.

Ele disse que, ao chegar ao local, os assaltantes “primeiramente ativaram, de maneira simultânea, todas as bombas nos veículos que foram abandonados em diversos pontos da cidade. Em seguida, assassinaram o policial e explodiram as bombas dentro do edifício, que literalmente voou em pedaços”.

As explosões afetaram as casas vizinhas, e a polícia ainda está avaliando os danos e contabilizando os feridos.

Detenção de brasileiro

O comissário Vera vinculou o assalto à detenção há poucos dias, no Paraguai, de um dos criminosos mais procurados no Brasil, conhecido como “Robertinho”, que era o número 2 da estrutura do PCC.

O governador do departamento paraguaio de Alto Paraná, Justo Zacarías Irún, informou que o presidente Horacio Cartes ligou para ele nesta madrugada e ordenou que as Forças Armadas apoiem as ações da Polícia. “O presidente [Cartes] me ligou por volta de 1h40 [2h40 no horário de Brasília]. Ele determinou o apoio das Forças Armadas”, declarou à Rádio ABC Cardinal.

O ministro do Interior, Lorenzo Lezcano, afirmou que já tinha informações sobre um assalto que estava para ocorrer em Ciudad del Este, mas “não sabia a hora, o lugar ou a dimensão”. “Em fevereiro já havíamos emitido um alerta”, disse Lezcano à Rádio ABC Cardinal.

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Com informações da Agência Brasil

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