Cágado em extinção faz ninho e protege seus ovos no Parque Barigui; VÍDEO

Redação

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Um cágado fêmea, de uma espécie rara e em extinção do Paraná, é o nova moradora do Parque Barigui, em Curitiba.

O parque, que já é conhecido por ilustres moradores como o jacaré e as capivaras, agora tem a companhia da fêmea que depositou e protege seus ovos, na quadra de vôlei de areia do parque.

A Guarda Municipal, que encontrou a visitante, isolou o local para proteger os ovos e acionou o Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), que vai monitorar o ninho.

O prefeito Rafael Greca comemorou a nova visitante e  pediu o apoio da população:

“Não deve ocorrer visitação do público ao local. Precisamos que não haja interferências no processo natural de desenvolvimento dos ovos. Deixem em paz os animais, que façam seus ninhos nas nossas areias. Toda vida é sagrada”, disse.

O prefeito reforçou também a contraindicação de circular em aglomerações no parque devido à pandemia da covid-19, outro motivo importante para evitar passeios ao local.

FÊMEA DE CÁGADO É DE ESPÉCIE RARA

A uma primeira análise feita pela equipe da SMMA apontou se tratar de um um parente próximo, o cágado. Ambos são da ordem dos quelônios, mas os cágados vivem apenas em água doce e têm a carapaça mais achatada.

“Provavelmente seja um cágado rajado, da espécie Phrynops williamsi, animal raro, de difícil encontro”, diz o diretor do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna da SMMA, Edson Evaristo, que avaliou as imagens do animal.

Também chamado de cágado-de-ferradura, é uma das quatro espécies de quelônios de água doce nativos do Paraná, considerado ameaçado de extinção no estado em função dos impactos de intervenções hídricas. Pode ser encontrado em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Argentina, no Paraguai e no Uruguai.

Chamou a atenção o local e o período do ano escolhido pela fêmea para depositar seus ovos. Evaristo explica que, em geral, esta espécie faz a postura  entre outubro e novembro, não no outono; e a região do Parque Barigui não é a área de habitat do cágado rajado, que prefere grandes rios, como os da bacia do Rio Iguaçu. “São questões que merecem estudos pelos pesquisadores. Vamos monitorar o local do ninho até a eclosão dos ovos, em um período entre 150 e 200 dias, e verificar se há outros animais da espécie pelo parque”, fala.
Além do monitoramento do ninho, a equipe vai coletar parte dos ovos para incubação artificial.

Em Curitiba, até 2018, não havia registros dessa espécie de cágado no município, até que um animal foi avistado no Parque Barigui e o registro foi feito na página Biodiversidade de Curitiba.
O cágado-rajado ainda é pouco estudado e as informações regionais são escassas. Por esse motivo, esse episódio deverá contribuir para a ampliação do conhecimento sobre a espécie.

Com informações da Prefeitura de Curitiba

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