Repasses para obra da trincheira da Mário Tourinho estão suspensos após divergências no projeto

Fernando Garcel

Projeto deve ser adequado e apresentado à Caixa Econômica Federal em até 15 dias

Vizinhos, comerciantes e quem passa pela região da Avenida Nossa Senhora Aparecida com a General Mário Tourinho encontram a obra da trincheira paralisada há mais de 60 dias. O atraso no cronograma físico-financeiro da obra ocorre devido a alterações no projeto inicial que estão pendentes. 

Segundo a Caixa Econômica Federal, os repasses não acontecem porque o município indicou a necessidade de alterações no projeto “em virtude de não estarem disponíveis no mercado local o quantitativo suficiente de pranchas metálicas para a contenção da obra e execução dos serviços”.

A licitação da construção da trincheira foi homologada pelo vice-prefeito e então Secretário Municipal de Obras, Eduardo Pimentel Slavieiro, em julho do ano passado. As obras iniciaram em setembro, foram adiadas até o início de janeiro e até agora apenas tapumes e cones sinalizam o local. O prazo para conclusão da obra previsto em contrato termina em julho deste ano.

A Caixa Econômica Federal é responsável pelo repasse dos recursos para as empreiteiras Construtora Triunfo e TCE Engenharia, consórcio vencedor da licitação. Dos R$ 12,4 milhões do contrato, a Prefeitura de Curitiba e a União já empenharam R$ 7,2 milhões sendo R$ 718 mil efetivamente pagos pela obra. Os repasses só ocorrem após a conclusão de etapas da obra definidas pelo cronograma físico-financeiro do projeto.


A obra foi pensada, prevista e planejada por engenheiros e técnicos do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) ainda em 2008, mas só se tornou palpável após o lançamento do Programa de Mobilidade Urbana e Transportes, com recursos do PAC 2, do Governo Federal, em 2014, que autorizou o financiamento de obras desse porte em todo o país. 

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Contudo, na gestão de Gustavo Fruet (PDT), entre 2013 e 2016, o projeto foi alterado por engenheiros da Universidade Federal do Paraná (UFPR) inspirados nos modelos usados na capital paulista para utilizar estacas metálicas em sua fundação, o que dispensa custos com acabamento. Esse estudo chegou a ser apresentado pelos engenheiros da UFPR no 9º Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões e na 9ª Exposição Internacional de Produtos para Rodovias, em Brasília, em 2015.

Foto: Reprodução

No entanto, os engenheiros não levaram em consideração que o material é fabricado apenas sob demanda por uma empresa na Polônia. O prazo de entrega desses materiais supera o prazo contratual de 300 dias para conclusão da obra.

Foto: SMCS

Em janeiro, duzentas estacas metálicas foram descarregadas em Curitiba. O material é utilizado para estruturar as paredes laterais da trincheira, montado em outro local e levado em etapas para a obra para evitar transtorno aos moradores. Porém, o modelo das estacas adquirido é diferente do que estava previsto. 

Para solucionar o imbróglio, que já dura meses, os engenheiros da UFPR ficaram responsáveis por entregar uma readequação do projeto. 

Ainda de acordo com a Caixa, a Prefeitura de Curitiba estabeleceu que deve apresentar o novo projeto em 15 dias contados a partir da data de 2 de abril. “Informamos que a avaliação sobre a possibilidade de adequação dos projetos cabe à fiscalização do município e ao projetista. A CAIXA aguarda a apresentação pelo município dos projetos com as adequações”, diz a Caixa em nota.

Em março, a Secretaria Municipal de Obras Públicas havia declarado que “está trabalhando para concretizar a obra e causar menos transtorno possível para a população” e que “a sensação de que a obra não está acontecendo, se deve ao fato de que a estrutura está sendo preparada fora do canteiro de obras”.

Agora, por meio de nota de esclarecimento, a Prefeitura de Curitiba diz que a “mudança na especificação das estacas e, também a substituição do material do pavimento da pista da trincheira, que no plano inicial era de asfalto e foi modificado para concreto, obrigou a readequação do projeto e, também, sua revisão pelo agente financiador da obra, a Caixa Econômica Federal, conforme está previsto no contrato de financiamento firmado pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Superada esta fase, os trabalhos serão retomados imediatamente”.

Leia na íntegra: 

Nota de esclarecimento

Sobre a construção da trincheira entre a Avenida Nossa Senhora Aparecida e a Rua General Mário Tourinho, no Seminário, é importante esclarecer que, no último dia 27 de março, o agente financiador da obra, a Caixa Econômica Federal, informou à Prefeitura de Curitiba que o ministério gestor ainda não creditou os recursos financeiros na conta vinculada ao contrato e, tão logo isto ocorra, serão efetuados os trâmites para autorizar o referido desbloqueio de recursos.

Também se faz necessário esclarecer que a obra está passando por uma readequação de projeto. Elaborado por uma equipe de professores do departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o projeto previa a utilização de estacas metálicas específicas, que, no momento em que a empresa vencedora do processo licitatório para executar a obra foi ao mercado para comprá-las, as estruturas não estavam disponíveis.

A fabricante possuía para pronta entrega estacas distintas do modelo previsto no projeto, mas que atendiam os objetivos da obra e eliminavam o prazo de cerca de 12 meses de espera pela encomenda, fabricação e importação das peças originalmente projetadas. Diante do exposto, foram compradas 216 estacas, que totalizam 93 toneladas de material que já foram descarregadas no canteiro de obras próximo ao cruzamento. Fabricadas na Polônia, as peças serão utilizadas para estruturar as paredes laterais da trincheira.

A mudança na especificação das estacas e, também a substituição do material do pavimento da pista da trincheira, que no plano inicial era de asfalto e foi modificado para concreto, obrigou a readequação do projeto e, também, sua revisão pelo agente financiador da obra, a Caixa Econômica Federal, conforme está previsto no contrato de financiamento firmado pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Superada esta fase, os trabalhos serão retomados imediatamente. O pavimento de concreto terá também importante função na estruturação das paredes da trincheira.

Bloqueio completo do cruzamento

O bloqueio integral do cruzamento da Mário Tourinho e Nossa Senhora Aparecida só será feito quando todos os materiais e equipamentos necessários para os serviços neste trecho estiverem no local. 

Já as outras etapas da obra continuarão a ser executadas sem bloqueio completo do cruzamento. Dessa maneira, o trabalho ficará mais ágil e irá gerar menos transtornos para a população.
Desde o dia 9 de janeiro, a faixa da esquerda da Mario Tourinho após a Fonte de Jerusalém, sentido Parque Barigui, está bloqueada. A Prefeitura sempre informará com antecedência os passos da obra. 

A Construtora Triunfo e a TCE Engenharia foram procuradas para comentar sobre o caso mas não retornaram aos contatos. Ambas são empresas do Grupo Trinfo, mas a comunicação social do grupo não se responsabiliza pelas empreiteiras.

Insatisfação

A lentidão da obra causa transtornos aos comerciantes e moradores da região. “É uma obra obsoleta. […] Fico abismado que os engenheiros, que não vivem nas redondezas, não veem que o trânsito não é causado pelo semáforo com a [Avenida] Nossa Senhora Aparecida e sim na Vicente Machado. Começaram uma obra no Chafariz dos Anjos, com os tapumes, há mais de 60 dias, e está parado”, comenta o comerciante Oslei Oliveira.

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A obra

A trincheira promete melhorar a ligação do Centro com o Campo Comprido e da região do Portão com a BR-277, no sentido Parque Barigui. Segundo a Prefeitura, a obra vai facilitar os deslocamentos norte-sul e sul-norte pela Avenida Mário Tourinho, por baixo da futura trincheira, por onde deverão passar 41 mil veículos por dia. Pelo eixo da Avenida Nossa Senhora Aparecida, por cima da trincheira, na ligação leste-oeste e oeste-leste, deverão passar pouco mais de 15 mil veículos por dia.

Foto: Divulgação / Prefeitura de Curitiba

A obra da trincheira prevê terraplenagem, pavimentação – pista, drenagem e obras de arte correntes, sinalização, iluminação, remanejamento de rede elétrica, paisagismo, obras de artes especiais, obras complementares, instalação do canteiro, mobilização e desmobilização de equipamentos.

Ainda segundo a Prefeitura, a obra vai melhorar o fluxo de oito linhas do transporte coletivo da capital, entre eles o Ligeirinho Inter 2, Interbairros II, Capão Raso/Campina do Siqueira, Ahú/Los Angeles, Social/Batel, Vila Sandra, Tramontina e Rua XV/Barigui. 

No plano de obras está previsto que a Avenida Nossa Senhora Aparecida será bloqueada ao tráfego pelo período de 180 dias para o trabalho de fixação de estacas metálicas de suporte à trincheira. Um canteiro central da Nossa Senhora Aparecida próximo à Mário Tourinho para que seja possível o retorno dos veículos será aberto. Já a Mário Tourinho no sentido Parque Barigui e BR-277 estará bloqueado pelo período total de obra. Agentes da Setran serão responsáveis pelo suporte aos motoristas e orientá-los sobre os quatro principais desvios. A Prefeitura também publicou um hotsite com as rotas alternativas e informes sobre a obra em trincheiramariotourinho.com.br.

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