Carreta envolvida em acidente na BR-277 estava a 80 km/h; motorista não ingeriu álcool 

Mirian Villa

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O tacógrafo da carreta envolvida no grave acidente na BR-277, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no último domingo (2), marcou velocidade compatível com a via. De acordo com a empresa, o disco registrou 80 km/h, que é o limite de velocidade no trecho.

A tragédia matou oito pessoas e deixou, pelo menos, 26 feridos. A fumaça prejudicou completamente a visibilidade das pistas e gerou o engavetamento de 22 veículos.

TACÓGRAFO DE CARRETA MARCA VELOCIDADE PERMITIDA

Segundo um comunicado divulgado pela empresa Sulista, logo após o acidente uma equipe foi até o local do engavetamento para prestar assistência ao caminhoneiro. Ele havia acabado de iniciar uma viagem para São Paulo, após passar o final de semana com a família.

No local da tragédia, o teste do bafômetro e aferição do tacógrafo foram realizados. O exame apontou inexistência de álcool e o dispositivo marcava velocidade compatível com a via. Ambas informações estão registradas no relatório da ocorrência.

Segundo o delegado Fábio Machado, da PCPR (Polícia Civil do Paraná), uma investigação foi iniciada para descobrir as causas do acidente. Além disso, nos próximos dias, o caminhoneiro e testemunhas do acidente na BR-277 devem ser ouvidos.

“Foi constado que ele não estava embriagado, verificamos também que havia muita fumaça no local e o motorista tentou desviar dos carros, mas acabou atropelando as pessoas. Nós vamos apurar sim, em um inquérito policial, se há ou não responsabilidade por parte desse motorista”, explicou Machado.

Caso seja constatada a ocorrência de um crime, um inquérito policial de homicídio culposo será instaurado.

FALTA DE VISIBILIDADE PROVOCOU ACIDENTE NA BR-277, SEGUNDO CORPO DE BOMBEIROS

No local do acidente, o Coronel Prestes, comandante do Corpo de Bombeiros do Paraná, afirmou que ocorrências causadas por incêndios florestais devem acontecer novamente. Segundo o CB, uma fumaça de incêndio impediu a visibilidade na estrada.

“Esse [acidente] foi um dano colateral de uma ocorrência que está se tornando muito comum no Paraná. Esse tipo de ocorrência vai acontecer novamente se nós não tivermos o apoio da população. Não só nas margens das rodovias, mas também outros tipos de acidentes que sejam relacionados aos incêndios ambientais”, argumentou Prestes.

A falta de visibilidade na rodovia no momento do grave acidente foi confirmada por um sobrevivente. De acordo com Ricardo Xavier de Souza, havia uma ‘bolsa’ de neblina e fumaça que impedia a visualização da pista.

“Meu carro foi o único que conseguiu sair do engavetamento…quando você chegava nesse local [do acidente] a bolsa de neblina e fumaça era muito densa, não tinha visualização, não conseguia dirigir”, retratou o cenário que encontrou antes da batida.

Na madrugada desta terça-feira (4), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a Ecovia interditaram a pista por causa da falta de visualização. Ambos sentidos ficaram fechados por quase quatro horas.

Foto enviada pela equipe responsável pela interdição da BR-277, em São José dos Pinhais, mostra a falta de visibilidade no trecho (Divulgação/PRF)

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