Apesar de situação crítica em Cascavel, prefeito libera abertura de microempresas

Redação

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Apesar da situação crítica no sistema de saúde em Cascavel, na região oeste do Paraná, o prefeito Leonaldo Paranhos autorizou a abertura de microempresas a partir da próxima segunda-feira (8).

O decreto, que será publicado em edição extraordinária, diz que as empresas poderão abrir as portas com 50% da taxa de ocupação do espaço e devem observar as regras de restrição proporcionais a capacidade de público prevista no laudo do corpo de bombeiros/alvará de funcionamento.

A medida tem validade até às 20h da próxima terça-feira (9). O horário de funcionamento das microempresas será das 6h às 20h, respeitando o toque de recolher determinado em decreto estadual.

“Vale lembrar que nesse momento de dificuldade –e eu tenho repetido isso constantemente– as armas que temos para o enfrentamento do vírus são a vacina e a disciplina individual. A vacinação está acontecendo, conforme o Ministério da Saúde nos entrega as doses, mas a disciplina depende de todos nós, não tem como impor disciplina por decreto. É a nossa responsabilidade individual que vai determinar como serão as próximas semanas”, disse o prefeito Leonaldo Paranhos.

Assim como o governador do Paraná, Paranhos está recuando diante de um colapso no sistema de saúde. Ontem, Ratinho Junior anunciou que o comércio e as atividades não essenciais serão autorizados a reabrir a partir de quarta-feira (10).

Ao flexibilizar as medidas de restrição de circulação, o governador afirmou que não é uma assinatura dele que vai salvar vidas. “É a maior guerra da saúde pública dos últimos 100 anos. É um esforço de toda a sociedade”, disse ele, pedindo a união do povo paranaense.

SISTEMA DE SAÚDE EM CASCAVEL

Há uma semana, a ocupação de leitos exclusivos de UTI/SUS para covid-19 em adultos na macrorregião oeste do Paraná chegou a 98%. Já na última terça-feira (2), a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Brasília precisou ser fechada para novos pacientes pela falta de leitos e capacidade técnica.

No dia, o secretário municipal de saúde de Cascavel afirmou que era “humanamente impossível receber qualquer novo paciente”. No dia seguinte, o MPF (Ministério Público Federal) e o MPPR (Ministério Público Federal) ajuizaram uma ação pedindo a transferência de pacientes infectados pela Covid-19 para outros estados do país.

Conforme dados do MPF, em fevereiro foram abertos 47 leitos de UTI Covid-19 na região, mas eles foram insuficientes para a alta demanda. O Hospital de Retaguarda, feito para atender 20 pessoas na UTI estava com 27 internados, sendo que 25 se encontravam entubados. Já a enfermaria, cuja capacidade máxima é de 28 pacientes, estava recebendo 44 pessoas.

No início desta semana, o município enviou uma carta à Sesa (Secretaria de Estado da Saúde) e ao Ministério da Saúde solicitando “apoio imediato de caráter urgentíssimo”. Na última quinta-feira (4), Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, fez uma visita a região oeste do Estado.

Assim como o governo estadual, Pazuello atribuiu o crescimento à nova variante do coronavírus, chamada de P1. A nova cepa é pelo menos três vezes mais transmissível e repercute em todo o país com mais de 10 estados com alto índice de ocupação de leitos.

“O que a gente observa é que a velocidade da contaminação está muito alta e a gente não tem tempo de se estruturar. É um momento difícil, duro, mas Cascavel e o oeste do Paraná têm estrutura para se reerguer. Com apoio do governo federal, vocês têm essa capacidade e contamos com isso, não dá para se entregar. Tem que ir para cima, voltar a trabalhar, cuidar das pessoas e a vida que segue”, disse.

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