Caso Arruda: Polícia ainda não concluiu perícia em celular, diz delegada

Em reunião na Assembleia Legislativa, delegada Camila Cecconello afirmou que mensagens eventualmente apagadas do celular de Guaranho podem ser recuperadas

Redação - 19 de julho de 2022, 18:05

Dálie Felberg/Alep
Dálie Felberg/Alep

A Polícia Civil do Paraná ainda não concluiu a perícia do celular do policial penal federal Jorge Guaranho, que matou a tiros o tesoureiro do PT em Foz do Iguaçu, Marcelo Arruda, no último dia 9 de julho. A Justiça devolveu o inquérito apresentado na última sexta-feira (15) e ordenou que as informações contidas no aparelho sejam levadas em consideração no indiciamento.

A delegada titular da DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa), Camila Cecconello, afirmou em reunião nesta terça-feira (19), na Assembleia Legislativa do Paraná, que a perícia ainda não foi concluída. “Podemos garantir que estamos trabalhando para que, mesmo que conversas que possam comprovar mais algum fato relevante sobre a motivação do crime, e que, porventura tenham sido apagadas, sejam recuperadas”, afirmou.

Questionada pelos deputados estaduais membros da comissão que acompanha a apuração do caso, Cecconello alegou que o celular não foi apreendido no dia crime porque os envolvidos deixaram o local com vida. Marcelo Arruda morreu horas depois, no hospital, enquanto Jorge Guaranho segue internado em estado grave. A delegada também explicou porque Guaranho foi dado como morto pela Polícia Civil, informação corrigida apenas 12 horas após o crime.

“Com relação à perícia no celular, como os envolvidos foram levados com vida do local do crime, os celulares foram entregues aos familiares. Por isso, só pedimos o aparelho de Guaranho quando ouvimos o depoimento da esposa dele, que só nos entregou depois de uma ordem judicial. Já com relação à notícia da morte, me informaram que a delegada Iane Cardoso, responsável pela investigação num primeiro momento, recebeu a informação do próprio atendente do hospital”, afirmou.

Camila Cecconello apresentou, na última sexta-feira (15), o indiciamento de Jorge Guaranho por homicídio duplamente qualificado - por motivo torpe e causar perigo comum. A Polícia Civil descartou, ao final do inquérito, a motivação política. Os deputados Tadeu Veneri (PT) e Arilson Chioratto (PT), membros da comissão parlamentar, questionaram a delegada sobre os motivos do crime político não ser denominado como tal.

“Não existe um crime agravado por motivação política, mas um crime por motivo torpe ou fútil, que a motivação política entra como um motivo torpe no nosso entendimento. Mas há uma subjetividade. Se você me perguntar se o homicídio aconteceu em decorrência de uma discussão política, isso, com certeza. Se não fosse a discussão, ninguém teria morrido. Mas não me sinto segura para afirmar que a motivação seja pela discussão por ideologias políticas. Não nego, justamente em função dessa subjetividade”, destacou Ceconello.

Na semana passada, os deputados Veneri e Delegado Jacovós (PL) visitaram Foz do Iguaçu e se reuniram com a primeira delegada do caso, Iane Cardoso, titular da Delegacia de Homicídios de Foz do Iguaçu. Os parlamentares também discutiram o caso com o juiz da 3ª Vara Criminal, Gustavo Germano Arguello, e com os promotores Tiago Lisboa Mendonça e Luis Marcelo Mafra, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

A Comissão Parlamentar deve sugerir que a Assembleia apresente formalmente ao Governo do Estado uma proposta da criação de uma força-tarefa para receber e investigar denúncias envolvendo casos de violência política no Paraná até as eleições e também que o Estado garanta a proteção para familiares e testemunhas do caso Marcelo Arruda.