Caso Daniel: 44 testemunhas de defesa são ouvidas em segunda fase de depoimentos

Thaissa Martiniuk - Bandnews FM Curitiba


Os réus acusados do assassinato do jogador Daniel Correa Freitas só devem ser interrogados depois de ouvidas testemunhas que ainda não atenderam às convocações da Justiça Estadual. Somente nesta semana, desde segunda-feira (1º), 44 testemunhas de defesa prestaram depoimento. A série de audiências se encerrou nesta quarta-feira (3), com oito pessoas ouvidas, incluindo a mãe de Edison Brittes, assassino confesso, e a mãe de Cristiana Brittes, esposa de Edison, também acusada de envolvimento no crime.

Na manhã desta quarta-feira (3), a mãe de Cristiana Brittes, Gessi Rodrigues, mostrou-se revoltada com a maneira como a filha tem sido descrita na imprensa. Gessi criticou a postura do jogador de futebol e, por várias vezes, chorou durante o depoimento.

Já o depoimento da mãe de Edison Brittes, Doralice Ferreira dos Santos, foi usado pela defesa como forma de demonstrar que o réu confesso do assassinato era atencioso com a família e mantinha uma relação de proximidade com as filhas e a esposa. Ao fim da audiência, que durou apenas vinte minutos, Doralice Ferreira dos Santos, pediu perdão à mãe do jogador Daniel e, na saída, abraçou  o filho, a neta e a nora.

O advogado Cláudio Dalledone, que defende a família Brittes, diz que três testemunhas pendentes moram em Minas Gerais e devem ser ouvidas nas próximas semanas. Somente após esta fase é que os interrogatórios dos réus serão marcados e a previsão é de que a juíza Luciani de Paula agende as audiências para maio deste ano.

Dalledone disse que esta segunda fase de depoimentos ocorreu conforme o esperado, mas destaca que alguns pontos ainda não foram esclarecidos ao longo do processo. “Foram depoimentos que na expectativa da defesa superaram em muito e principalmente o que posso dizer como nota de incentivo, andou de forma célere a investigação, em 72h tiveram aí autores, motivo. Entretanto andaram mal, deixaram muita coisa a ser esclarecida nesse caso, renegaram elementos importantes, por exemplo, personagens que estiveram dentro da casa, vários personagens que estiveram foram da casa, aliás cinco pessoas que estiveram dentro da casa, no momento da festa, não foram ouvidos”, disse.

Dalledone diz que há ainda duas perícias para anexar ao processo. Uma do celular e outra das imagens da casa noturna onde era comemorado o aniversário de Alana Brittes. O advogado questiona o fato de Cristiana Brittes ter sido denunciada por homicídio junto com o marido.

Para ele, esta fase de depoimentos e provas já juntadas ao processo comprovam que a esposa de Edison não participou da morte do jogador Daniel. “É uma fase preliminar, que vai admitir ou não a acusação feita pelo Ministério Público. E é dentro desse raciocínio, que estamos trabalhando a demonstrar aquilo que já ficou amplamente demonstrado e que beira o absurdo de incluir a Cristiana no homicídio. Nós temos muita fé de conseguir, porque provado está que ela não incentivou a morte e não participou de nada nesse sentido”, destacou.

O advogado que representa a família do jogador, Nilton Ribeiro, voltou a afirmar que os depoimentos desta segunda etapa do processo, com testemunhas de defesa, não acrescentam novas informações ao processo. Para ele, as defesas dos réus tentam protelar a decisão da Justiça em levar os acusados à júri popular. “Testemunhas que não disseram absolutamente nada sobre o fato, sobre a morte, só sobre assuntos periféricos para colocar uma nuvem, uma fumaça no processo e tentar tirar o ponto principal que é a morte do jogador Daniel. Então leva a perceber que a defesa não tem outra saída, tá tentando empurrar esse júri pra demorar a condenação”, analisou.

Todos os depoimentos das testemunhas foram acompanhados pelos sete réus. Eduardo da Silva, Ygor King e David William da Silva estão detidos na Casa de Custódia de São José dos Pinhais. Edison Brittes está preso na Casa de Custódia de Curitiba e as mulheres, Cristiana e Allana Brittes, estão na Penitenciária Feminina de Piraquara. Apenas Evellyn Brisola está em liberdade, por, no entendimento da Justiça, ter cometido um crime de menor potencial ofensivo.

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