Caso Daniel: Cristiana Brittes pede para responder em liberdade

Angelo Sfair e Francielly Azevedo

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A defesa de Cristiana Brittes entrou com um pedido de habeas corpus para que ela possa responder em liberdade ao processo que apura a morte do ex-jogador Daniel Corrêa Freitas. O habeas corpus foi entregue à 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais e ainda não há resposta da juíza Luciani Regina Martins de Paula, responsável pelo caso.

Esposa de Edison Brittes, assassino confesso do ex-atleta, Cristiana agora pleiteia o mesmo benefício concedido à filha do casal. Allana Brittes foi solta no início do mês por decisão da 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Cristiana está presa preventivamente desde o dia 31 de outubro do ano passado, quatro dias depois do assassinato de Daniel. Ela está detida na Penitenciária Feminina de Piraquara (PFem), na região metropolitana de Curitiba. Em maio deste ano, Critiana e Allana Brittes foram transferidas para este presídio depois de receberem ameaças de outras detentas.

A esposa de ‘Juninho Riqueza’ responde por homicídio qualificado (motivo torpe), coação, fraude processual e corrupção de menores.

ARGUMENTOS DA DEFESA DE CRISTIANA BRITTES

Os advogados de Cristiana fizeram o pedido na esteira do habeas corpus concedido à Allana. A defesa sustenta que a 6ª Turma do STJ impôs uma novo entendimento que tornaria injustificada a prisão cautelar da ré.

Para os defensores, existem outras medidas cautelares capazes de garantir a instrução criminal e evitar a reiteração delitiva. Eles argumentam que Cristiana é ré primária e que a prisão preventiva só poderia ser aplicada em última instância.

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Reprodução/TJPR

Ainda de acordo com os advogados, as provas e depoimentos anexados aos autos do processo afastam Cristiana Brittes da materialidade do fato. Ou seja, eles argumentam que a esposa de Juninho Riqueza não tem participação direta no assassinato de Daniel Corrêa Freitas.

Por fim, os defensores alegam que a instrução penal chegou ao fim e que, por isso, já não há risco da ré interferir nas investigações.

“Deste modo, considerando o transcorrer do tempo e o novo panorama arregimentado nos autos, notadamente a conclusão da etapa probatória sem que surgisse nenhum elemento que fizesse emergir a necessidade de manutenção da segregação pessoal da denunciada, roga-se SUBSTITUIÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA (medida extremada e não mais necessária) POR MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS À PRISÃO que permitam a requerente, pelo menos, retornar à atividade produtiva e ao convívio familiar (pais, filhas e irmã), mediante condições específicas a serem determinadas por este Juízo para o fim de preservar o feito criminal”, peticionaram os defensores.

INTERROGATÓRIOS RETOMADOS NA SEMANA QUE VEM

Atendendo a um pedido da defesa da família Brittes, a juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, decidiu, no último dia 13, adiar os depoimentos dos réus. As oitivas foram remarcadas para os dias 4, 5 e 6 de setembro (quarta, quinta e sexta-feira da semana que vem).

Os advogados insistiram na convocação de uma nova testemunha. Respeitando o rito processual, os interrogatórios foram transferidos para o mês seguinte.

Ao final da instrução penal, a juíza Luciani Martins de Paula decidirá se os réus serão, ou não, submetidos ao júri popular.

OS ACUSADOS

Ao todo, sete pessoas respondem pelo assassinato do ex-jogador Daniel Correa Freitas. Com exceção de Evellyn Brisola Perusso e Allana Brittes, todos estão presos.

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O CASO DANIEL

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro de 2018, em uma casa noturna, no bairro Batel. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa, ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado, 27 de outubro de 2018, por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

O empresário afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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