Caso Daniel: Justiça nega pedido de prisão domiciliar de Cristiana Brittes

Fernando Garcel


O pedido relaxamento de prisão para que Cristiana Brittes responda ao processo em liberdade foi negado pela juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, nesta terça-feira (18). Cristiana é esposa de Edison Brittes, conhecido também como Juninho Riqueza, autor confesso da morte do jogador Daniel em outubro. Ela e outros cinco estão presos preventivamente, quando não há prazo para liberdade, desde 29 de novembro.

A defesa da família Brittes peticionou o pedido de concessão de prisão domiciliar com monitoramento de tornozeleira eletrônica sob argumento de Cristiana possui uma outra filha, menor de 12 anos, que precisa de seus cuidados. Segundo a magistrada, os crimes aconteceram em ambiente doméstico e, por tanto, no momento, a criança não deve estar submetida aos cuidados da mãe.

Justiça determina prisão preventiva para seis acusados por morte de Daniel
“Quem precipitou essa tragédia foi o Daniel”, diz advogado da família Brittes

No despacho, a magistrada lembra que Cristiana foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná por ‘fraude processual’ e por ‘coação no curso do processo’, de modo que a liberdade pode prejudicar a conveniência da instrução criminal.

Cristiana e Edison Brittes │ Foto: Reprodução / Facebook

“É sabido que a comunidade vem clamando por justiça em crimes dessa ordem, e requer atuação das autoridades de forma rápida. […] Como se sabe, a coação de testemunhas e a investida contra as provas são práticas inaceitáveis no curso do processo, pois afetam seriamente a busca da verdade real”, frisa a juíza.

A magistrada também aponta que a liberdade de Cristiana pode colocar em risco as testemunhas do processo. “Diga-se, ainda, que os depoimentos colhidos na fase extrajudicial demonstram a
periculosidade da acusada, de sorte que esta circunstância, somada à garantia da ordem pública, corrobora a manutenção de sua segregação cautelar, bem como revela a insuficiência/ineficácia da medida cautelar pretendida”.

> Para promotor do caso do jogador Daniel, teoria de estupro é impossível
> Mulher de suspeito diz que acordou com jogador em cima dela falando “Calma, é o Daniel”

Além dos riscos às testemunhas, a juíza Luciani Regina Martins de Paula também aponta que os fatos que supostamente levaram à morte do jogador Daniel teriam começado na casa da família e, por tanto, neste momento, a criança não deve ser submetida aos cuidados da mãe. “O fato de os supostos crimes terem sido praticados no âmbito doméstico demonstra ser, ao menos neste momento, inadequada a submissão da criança aos cuidados da mãe”, finaliza a magistrada.

Reprodução / Projudi

Por meio de nota, o advogado da família Brittes, Cláudio Dalledone Júnior, afirmou que vai recorrer ao Tribunal de Justiça. “Trata-se de uma decisão emitida pela mesma juíza que decretou a prisão”, alegou.

Pedidos de liberdade

Esse não é o primeiro pedido de liberdade negado à família Brittes. Na última sexta-feira (14), a juíza negou o pedido de habeas corpus impetrado pela defesa em nome da filha do casal Cristiana e Edison Brittes, Allana Brittes.

Os argumentos que embasaram o indeferimento do pedido são os mesmos. Allana teria participado da limpeza de provas do local em que Daniel foi espancado e da coação de testemunhas. Ela foi denunciada por pela prática dos delitos de ‘corrupção de menor’, ‘fraude processual’ e ‘coação no curso do processo’.

“Denota-se nos autos principais que a paciente, em tese supostamente, teria auxiliado os corréus a desaparecer com evidências do delito de homicídio, bem como teria entrado em contato com testemunhas para marcar encontros, onde nesses encontros, seria imposta uma versão diversa dos fatos. Consta nos autos inclusive o relato de que a paciente teria entrado em contato com familiares da vítima para pôr em prática a versão engendrada por ela e seus pais, corréus no citado feito”, argumenta Luciani Regina Martins de Paula.

Denunciados

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O caso

Daniel foi encontrado mutilado, na Colônia Mergulhão, área rural de São José dos Pinhais, no dia 27 de outubro. O ex-jogador foi mutilado e teve o pênis cortado e pendurado em uma árvore.

O crime ocorreu após o aniversário de 18 anos de Allana Brittes. A festa começou em uma casa noturna de Curitiba, no dia 26 de outubro, e seguiu para casa de Allana, onde começaram as agressões ao ex-jogador.

Edison afirma que ele estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, já declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

> Em telefonema, empresário que confessou ter matado Daniel dizia estar triste com a tragédia
> Em vídeo, empresário que matou Daniel chama vítima de ‘monstro e canalha’

Previous ArticleNext Article