Caso Daniel: MP pede que todos os réus sejam levados a júri popular

Jorge de Sousa e Vinicius Cordeiro


O MP-PR (Ministério Público do Paraná) pediu para que os sete réus do caso Daniel sejam levados a júri popular. A recomendação foi feita nesta terça-feira (8), quando as alegações finais do processo foram apresentadas. O ex-jogador foi encontrado morto, com o órgão genital mutilado, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no dia 27 de outubro de 2018.

O promotor Marco Aurélio Oliveira São Leão, responsável por assinar o documento, também pediu que apenas Edison Brittes fique preso até o final do julgamento. Por meio de nota, a defesa do empresário, conhecido também por ‘Juninho Riqueza’, diz que recebeu a opinião do MP “com naturalidade”. Enquanto espera a decisão, Edison está detido na Casa da Custódia de São José dos Pinhais após ter confessado o crime.

Com a recomendação exclusiva para Edison,os réus David William Vollero Silva, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Ygor King devem conseguir liberdade provisória.

Até agora, Evelyn Brisola Perusso, Allana Brittes e sua mãe Cristiana tiveram liberdade concedidas pela Justiça.

Agora, a juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, espera as alegações finais das defesas dos investigados. Somente depois disso ela decidirá quais pessoas vão ao júri popular.

ALEGAÇÕES FINAIS

As alegações finais do MP imputam os seguintes crimes para cada um dos réus:

Edison Brittes Junior: homicídio qualificado pelo motivo torpe,meio cruel e outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e coações no curso do processo.

Cristiana Brittes: homicídio qualificado, fraude processual, corrupção de adolescente e coações no curso do processo.

Allana Brittes: fraude processual, corrupção de adolescente e coações no curso do processo.

David William Vollero Silva: homicídio qualificado pelo motivo torpe, meio cruel e outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa e fraude processual.

Eduardo Henrique Ribeiro da Silva: homicídio qualificado pelo motivo torpe, meio cruel e outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente.

Ygor King: homicídio qualificado pelo motivo torpe, meio cruel e outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa, ocultação de cadáver e fraude processual.

Evellyn Brisola Perusso: Fraude processual.

FAMÍLIA BRITTES

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Edison, Allana e Cristiane. (Reprodução / Facebook)

Edison, Cristiana e Allana Brittes, filha do casal, são os principais réus na investigação.

Allana teve sua liberdade concedida no início de agosto. O pedido do habeas corpus feito pela defesa foi aceito com unanimidade pela 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), mas os ministros exigiram com que ela cumprisse as medidas cautelas.

Já em setembro, Justiça revogou a prisão de Cristiana Brittes. Ela segue sendo monitorada por tornozeleira eletrônica.

Vale lembrar que as duas foram presas quatro dias após a morte de Daniel. Além disso, em maio deste ano, Critiana e Allana foram transferidas para este presídio depois de receberem ameaças de outras detentas.

RELEMBRE O CASO DANIEL

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Divulgação / São Bento

O corpo do Daniel Corrêa foi encontrado por moradores em uma área de mata na cidade de São José dos Pinhais no dia 27 de outubro de 2018. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

O jogador foi revelado pelo Cruzeiro, mas teve passagens pelo Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento.

Ele viajou para Curitiba comemorar o aniversário de Allana Brittes, no dia 26 de outubro de 2018. A menina comemorou seus 18 anos em uma casa noturna, no bairro Batel, mas a comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison. Foi na residência da família Brittes que o jogador teve seu último contato com seus amigos.

Edison acusou Daniel de estuprar sua mulher e o atleta acabou sendo espancado. Depois ele conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

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