Caso Daniel: MPPR é contrário ao pedido de prisão de Allana Brittes

Redação

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Allana Brittes não descumpriu as medidas cautelares que foram impostas em sua soltura, determinada em agosto pelo STJ (Superior Tribunal da Justiça). Esse é o parecer do MPPR (Ministério Público do Paraná), que se manifestou de forma contrária ao pedido de prisão feito pelo assistentes de acusação no processo que apura o assassinato do jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas.

“Em cuidadosa análise do pedido, verifica-se, pelo momento, que não restou comprovado que a ré Allana Emilly Brittes descumpriu ou está descumprindo as medidas cautelares que lhe foram impostas”, diz o documento assinado pelo promotor Marco Aurélio Oliveira São Leão e enviado hoje (17) à 1.ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

O ex-atleta foi morto em outubro de 2018, na residência de Edison e Cristiana Brittes, após a comemoração de aniversário de 18 anos de Allana.

PUBLICAÇÕES NO INSTAGRAM FORAM BASE PARA PEDIDO DE PRISÃO

A assistência de acusação pediu ainda que, se a prisão não fosse determinada, ela passasse a ser monitorada por tornozeleira eletrônica.

O pedido foi baseado em duas imagens, publicadas no Instagram de Allana, que comprovariam o desrespeito às medidas cautelares impostas pela juíza Luciani Regina Martins de Paula, da 1.ª Vara Criminal de São José dos Pinhais.

De acordo com o código de processo penal, ela não pode sair de Curitiba e deve comparecer periodicamente ao juízo para justificar suas atividades. Além disso, ela também não poderá frequentar determinados lugares – como casas noturnas e bares – e nem ter contato com outros réus e qualquer pessoa relacionada à investigação e a ação penal.

Entretanto, em uma das postagens de Allana, ela aparece no shopping de entretenimento Fresh Live Market, ambiente gastronômico que reúne bares e restaurantes na capital paranaense. De acordo com os advogados, o espaço encerrou as atividades no dia 7 de novembro, mas Allana foi ao local antes dessa data.

Além disso, em outro post, ela mostra que estava em Porto Belo, no litoral de Santa Catarina. A defesa da jovem declarou que as fotos na praia foram tiradas antes da morte de Daniel acontecer, o que foi comprovado no parecer do Ministério Público.

“(…) com relação a fotografia na localidade de Porto Belo, Santa Catarina, observa-se que tal imagem é anterior a data dos fatos”, diz trecho do parecer, que também declara que a presença de Allana do ambiente gastronômico teria finalidade de “recreação e a gastronomia”, desconsiderando o espaço como bar.

VEJA O QUE DIZ A DEFESA DE ALLANA

Em face da decisão da juíza de direito Luciane de Paula Martins em negar o pedido de prisão de Allana Brittes, feito pelos advogados de Daniel Corrêa Freitas, a defesa técnica de Allana Brittes reforça que tal pedido não passou de mero frenesi para criar um factoide e movimentar a mídia e a opinião pública.
Allana nunca descumpriu qualquer cautelar e cumpre rigorosamente as imposições da justiça.

RÉUS NO CASO DANIEL

Dos sete réus que respondem ao processo (veja a lista abaixo), apenas Edison Brittes ainda está preso. No início do mês, a Justiça do Paraná negou a tornozeleira eletrônica a ele.

O assassino confesso de Daniel pedia a revogação da prisão preventiva, mas a juíza Luciani Martins entendeu que ele “poderia voltar a coagir testemunhas”.

Depois de ouvir testemunhas de acusação e defesa, de interrogar os réus e receber as alegações finais, a Vara Criminal de São José dos Pinhais precisa decidir se os sete réus vão, ou não, a júri popular.

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

RELEMBRE A MORTE DO EX-JOGADOR

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Divulgação/São Paulo

O corpo do Daniel Corrêa foi encontrado por moradores em uma área de mata na cidade de São José dos Pinhais no dia 27 de outubro de 2018. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. Além disso, o órgão genital estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

O jogador foi revelado pelo Cruzeiro, mas teve passagens pelo Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento. Daniel viajou a Curitiba para comemorar o aniversário de Allana Brittes, no dia 26 de outubro de 2018. A jovem celebrou o aniversário de 18 anos em uma casa noturna, no bairro Batel. No entanto, a comemoração se estendeu na casa dos pais, Cristiana e Edison Brittes.

Edison acusou Daniel de estuprar sua mulher e o atleta acabou sendo espancado. Depois ele conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

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