Caso Daniel: réus são interrogados pela primeira vez

Francielly Azevedo e William Bittar - CBN Curitiba


*Atualizada às 10h*

Os sete réus que respondem pela morte do jogador Daniel Corrêa Freitas devem prestar esclarecimentos a Justiça a partir desta quarta-feira (4). Os envolvidos chegaram ao Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, por volta das 8h30. Será a primeira vez que Edison Brittes, assassino confesso do atleta, e os outros acusados falarão ao judiciário. O crime ocorreu em outubro do ano passado.

Respondem pelo crime o comerciante Edison Brittes, assassino confesso de Daniel; Cristiana Brittes, esposa de Edison;  Allana Brittes, filha do casal; Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Vollero Silva e Evellyn Brisola Peruss

As audiências de instrução aconteceriam nos dias 13, 14 e 15 de agosto, mas foram adiadas porque a defesa da família Brittes solicitou o interrogatório de um jornalista. A defesa de Edison, Cristiana e Allana, filha do casal, quer apurar o responsável por vazar fotos de Cristiana. Para os advogados, o jornalista teria ido a loja de assistência de celulares, na qual a esposa de Edison deixou o celular para conserto após o crime, e teve acesso ao material antes da polícia.

Mais uma vez, três dias foram reservados pela juíza Luciane Regina Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, para interrogar os sete réus acusados de envolvimento na morte de Daniel.

PASSO A PASSO

Os cinco presos chegaram pela entrada de trás do Fórum. Evellyn Perusso e Allana Brittes entraram pela porta da frente.

Edison Brittes chega ao Fórum. (Foto: Ernani Ogata/Código19/Folhapress)

A defesa da família Brittes colocou um banner branco na sala de audiência, para que os acusados não sejam vistos de fora do local. O que dificulta o acompanhamento da imprensa.

O primeiro interrogado é o jornalista da Rede Massa, João Gimenez, sobre a situação que ele teve acesso ao celular de Cristiana antes do inquérito.

O advogado de Evellyn Brisola Perusso, Luiz Roberto Zagonel, disse que ela vai falar sobre a participação de Eduardo Purcotes, um dos jovens que estaria na casa, mas foi ouvido apenas como testemunha. “Ela vai falar toda a verdade. Essa verdade ainda que doa aos poderosos, que é a figura central da denúncia dela”, disse.

Edison, Cristiana e Allana devem ser ouvidos por último conforme pedido da defesa. “Eu desde a fase da outra audiência de interrogatórios sustentava que eles devem ser ouvidos por último. Existem possíveis cargas acusatórias dos demais acusados e isso tudo vai fazer com que o requerimento da defesa seja no sentido de que eles sejam os últimos a serem interrogados. Tudo vai depender da juíza, dos outros advogados, então estamos com uma folha em branco para escrever a história desse ato principal que vai finalizar essa parte oral do processo que são os interrogatórios”, explicou o advogado Claudio Dalledone.

O advogado de Rodrigo Faucz, que representa Ygor King e David Vollero Silva, disse que para eles não faz diferença a ordem dos depoimentos. O defensor solicitou o pedido de liberdade dos dois.

QUEM SÃO OS ACUSADOS

Respondem pelo crime o comerciante Edison Brittes, assassino confesso de Daniel; Cristiana Brittes, esposa de Edison;  Allana Brittes, filha do casal; Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Vollero Silva e Evellyn Brisola Perusso.

Dos suspeitos,  Evellyn Brisola Perusso e Allana Brittes respondem ao processo em liberdade. Os outros cinco foram detidos poucos dias após o crime:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O CASO

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro de 2018, em uma casa noturna, no bairro Batel. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa, ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

Beto Richa adia Caso Daniel Foto SPFC
Foto: Reprodução/SPFC

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado, 27 de outubro de 2018, por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

O empresário afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.