Caso Daniel: chefe de segurança de casa noturna diz que jogador importunou mulher na noite do crime

Francielly Azevedo, Vinicius Cordeiro e William Bittar - CBN Curitiba


A Justiça retomou nesta segunda-feira (1º) as audiências de instrução do processo que investiga a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos. As oitivas, que acontecem no Fórum de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, começaram com uma hora de atraso. As testemunhas de defesa vão sendo ouvidas, sendo que os advogados dos sete réus indicaram mais de 40 pessoas para prestarem depoimento. Até cerca das 18h, 24 testemunhas foram escutadas.

Allana e Cristiana chegaram ao local algemadas pelos pés, mas com as mãos livres. Já Edison Brittes estava com as mãos algemadas. Por fim, Eduardo Henrique da Silva, David Vollero Silva e Ygor King estavam com algemas nas mãos e nos pés.

Edison Brittes ficou com a cabeça abaixada, usando terno, camisa rosa e calça jeans. Ele era o único com roupas normais, sem roupa da unidade prisional. Os demais com calças laranjas e camiseta branca. Os advogados fizeram um cordão para dificultar o trabalho da imprensa em registrar a entrada dos réus no Fórum.

Nesta fase, quatro dias foram reservados para seguimento da instrução e julgamento do caso: 1º,2,3 e 5 de abril (segunda, terça, quarta e sexta feira). Caso não exista tempo hábil para ouvir todos os citados, a juíza Luciani Martins de Paula, da 1ª Vara Criminal, Júri e Execuções Penais deve marcar novas datas para o fim das audiências. Após ouvidas as testemunhas, os sete acusados devem ser interrogados.

DANIEL IMPORTUNOU MULHER NA BALADA 

O nono a falar foi Marcelo Guerra, chefe de segurança da casa noturna onde Allana Brittes comemorou seu aniversário antes de dar sequência na festa em casa. Ele trabalhou na noite do crime e alegou nunca ter sido procurado antes por nenhuma autoridade.

Segundo ele, Daniel importunou uma mulher na balada e ela buscou amparo com três amigos, que foram tirar satisfação com o jogador. A segurança foi acionada no episódio e agiu para evitar qualquer confusão.

TRAFICANTE DONO DA MOTO DE BRITTES NEGA CONHECER O RÉU

A primeira testemunha a falar foi Celso Alexandre Pacheco, preso por tráfico de drogas. O depoimento durou cerca de 10 minutos. Ele chegou ao Fórum com escolta policial. O homem é o dono da moto de luxo encontrada na casa de Edison.

Celso afirmou que não conhece Edison e nem tem qualquer ligação com  réu. Contou que era dono da motocicleta e que a deixou para vender em 2017, mas ainda tinha parcela para quitar do financiamento, por isso a transferência não foi feita. Ele relatou que pagou 51 mil na moto e venderia por 45 mil.

OUTRAS TESTEMUNHAS

A sétima testemunha foi Carlos Henrique Portella da Luz, dono da loja onde estava a moto apreendida com Edison. Segundo o homem, ele comprou o veículo e repassou para Brittes, que fez o depósito para ele e outra parte para outro rapaz. Apesar disso, Luz não conseguiu explicar, de forma exata, como foi toda a transição.

Já o oitavo a ser ouvido foi Edson Alves de Souza, que foi colega de trabalho e chefe de Edison Brittes, conhecendo-o há mais de 20 anos. Além disso, também foi padrinho de casamento dos Brittes. Com essa relação íntima ao acusado, a juíza passou a considerar Edson Alves como informante. Nesse caso, o depoimento não tem efeito de revelar algum fato e será desconsiderado para o julgamento.

TESTEMUNHAS DE ACUSAÇÃO

Em fevereiro, as testemunhas de acusação prestaram depoimento em uma etapa que durou três dias. Entre os ouvidos, estava a mãe do jogador Daniel. Eliana falou em “frieza desumana” ao comentar contatos que Edison Brites e a filha Allana fizeram com ela após o crime, em telefonemas e mensagens de WhatsApp, nos quais teriam lamentado a morte do atleta e se colocado à disposição para ajudá-la no que fosse necessário.

As audiências de instrução são o último passo para que a juíza decida se os réus vão ou não para o júri popular.

QUEM SÃO OS ACUSADOS

Respondem pelo crime o comerciante Edison Brittes, assassino confesso de Daniel; Cristiana Brittes, esposa de Edison;  Allana Brittes, filha do casal; Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Ygor King, David Vollero Silva e Evellyn Brisola Perusso.

Dos suspeitos, apenas Evellyn Brisola Perusso, responde o processo em liberdade. Os outros seis foram detidos poucos dias após o crime:

  • Edison Brittes Júnior – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente e coação no curso do processo;
  • Cristiana Brittes – homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Allana Brittes – coação no curso do processo, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Eduardo da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • Ygor King – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de adolescente;
  • David Willian Vollero da Silva – homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de adolescente e denunciação caluniosa;
  • Evellyn Brisola Perusso – denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de adolescente e falso testemunho.

O CASO

Revelado pelo Cruzeiro e com passagens por Coritiba, São Paulo, Ponte Preta, Botafogo e São Bento, Daniel veio para Curitiba comemorar o aniversário de 18 anos de Allana Brittes, no dia 26 de outubro, em uma casa noturna, no bairro Batel. A comemoração se estendeu na casa dos pais de Allana, Cristiana e Edison Brittes, último lugar que o jogador teve contato com amigos pelo WhatsApp. Na casa, ele foi espancado e depois conduzido no porta-malas do carro de Edison até a Colônia Mergulhão, onde foi morto.

O corpo do jogador foi encontrado em uma área de mata, na cidade de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (27), por moradores da região. Ele estava nu, com diversos cortes, dois deles profundos na região do pescoço, e teve o pênis decepado. O órgão estava pendurado em uma árvore a 20 metros de onde o corpo foi encontrado.

Edison foi gravado em ligação com um amigo da vítima se lamentando sobre o sumiço do atleta e dando outra versão sobre o que aconteceu na noite em que Daniel morreu. Na ligação, que aconteceu após o corpo de Daniel ter sido encontrado e identificado, Edison Brittes diz que não sabia como Daniel foi embora e que estava chocado com o caso. Falou também que teve que dar calmante para a filha, Allana, após saberem da morte da vítima e que ele chegou a ligar para a irmã de Daniel para dar os pêsames.

Edison afirma que Daniel estava no quarto tentando estuprar Cristiana. O delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevizan, declarou que a família Brittes mentiu nos depoimentos e que teriam formulado uma história.

 

*** matéria atualizada às 18h07

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.