Caso Daniela: com reprodução simulada dos fatos negada, marido fica em silêncio durante interrogatório

BandNews FM Curitiba


Por orientação da defesa, Emerson Bezerra da Silva, acusado de ter matado a esposa em janeiro deste ano, ficou em silêncio durante interrogatório à Justiça. Além dele, outras dez testemunhas de acusação e de defesa prestaram depoimento nesta quinta-feira (4) na Vara Criminal de Fazenda Rio Grande, na região metropolitana de Curitiba. Daniela Eduarda Alves, de 23 anos, foi morta com pelos menos 15 facadas na frente da filha do casal, de apenas dois anos, no dia 14 de janeiro.

O caso ganhou repercussão recentemente, depois que gravações telefônicas anexadas ao processo indicaram que a PM levou uma hora e vinte minutos para chegar à casa de Daniela desde que recebeu a primeira de oito ligações de vizinhos denunciando a briga do casal. As investigações mostram que as discussões começaram por volta das 23 horas. As ligações denunciando a possível agressão foram registradas desde 1 hora, mas a primeira equipe da Polícia Militar só chegou ao local às 2h20 — cerca de 40 minutos depois de Daniela ser morta. Entre as testemunhas ouvidas nesta quinta-feira (4) estavam o padrasto, a irmã e a mãe da vítima.

Segundo o advogado que representa a família de Daniela, Ygor Salmen, os parentes contaram como era o convívio do casal. “Elas deixaram bem claro todos os detalhes sobre a relação dos dois, demonstraram que se tratava de uma relação doentia da parte dele. Uma pessoa extremamente possessiva, ciumenta, que não aceitava o fim do relacionamento”, destacou.

Antes do início da audiência, o assistente de acusação afirmou que as provas sustentam que o crime não foi em legítima defesa e, portanto, o réu deve ser levado a júri popular. O próprio advogado dele, Rodrigo Ribeiro, reconhece que o caso deve ser analisado no Tribunal do Júri. O advogado Luis Gustavo Janiszewski avalia que os depoimentos desta quinta-feira (04) esclareceram que houve uma ‘fatalidade’ e um ‘caso isolado’ naquela “Naquela casa não existia uma hierarquia, uma subordinação, de maneira que nunca aconteceu uma violência doméstica. Ambos se amavam, se respeitavam. Aconteceu um fato isolado”, disse.

A promotoria de justiça abriu um procedimento para apurar qual a responsabilidade do Estado em relação ao serviço prestado pela Polícia Militar naquela noite. A família de Daniela também entrou com uma ação cível para a reparação do dano. “Hoje Fazenda Rio Grande conta com apenas quatro viaturas da Polícia Militar, isso foi confirmado em audiência. Longe de falar do atendimento, mas ver com outros olhos do porque

Para a família de Daniela, o fato de a PM ter se comprometido a revisar os procedimentos para identificar quais chamadas são consideradas prioritárias na Central de Operações não afasta o dano ocorrido. A defesa do réu pretendia que fosse realizada uma reprodução simulada dos fatos. O pedido foi negado e, por isso, ele permaneceu em silêncio durante o interrogatório. ”

Nesta quinta-feira (04), também foram ouvidos como testemunhas, tanto da defesa quanto da acusação, policiais militares que estavam de plantão na noite da morte de Daniela. Participaram da audiência PMs que foram até a casa dela e PMs que atenderam um chamado na casa da mãe do réu. Ela ligou para a polícia para dizer que o filho tinha matado a esposa e iria se entregar.

A defesa da família de Daniela destaca que os PMs que foram até o local do crime alegam que a demora no atendimento se deu por uma falha na Central de Operações Policiais. “Eles deixaram bem claro que o Copom repassou o atendimento para eles somente de madrugada, que até então não tinham recebido qualquer chamado. É uma situação interessante porque mostra que a equipe de Fazenda Rio Grande recebeu a solicitação partiu para o atendimento e quem represou essas ligações foi o Copom da Polícia Militar”, explica Ygor Salmen.

A defesa do réu sustenta que deve ser esclarecido se o homicídio foi consequência de uma ‘violenta emoção’, após uma discussão entre o marido e a mulher. A versão dele é de que houve um desentendimento, que se acalorou e acabou com a morte da esposa. A defesa nega que o marido já tivesse agredido a mulher em outras oportunidades. Emerson Bezerra está preso preventivamente por homicídio triplamente qualificado.

De acordo com o Ministério Público do Paraná, o crime foi cometido por motivo torpe, usando um meio cruel e dificultando a reação da vítima.

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