Pedido de revisão criminal pode reverter condenações do Caso Evandro

Um pedido de revisão criminal pode reverter as condenações de Beatriz Abagge, Davi dos Santos Soares e Osvaldo Marcineir..

Leonardo Gomes - BandNews FM Curitiba - 07 de dezembro de 2021, 11:12

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Um pedido de revisão criminal pode reverter as condenações de Beatriz Abagge, Davi dos Santos Soares e Osvaldo Marcineiro no processo que apurou a morte do menino Evandro Ramos Caetano, em Guaratuba, no litoral do Paraná, em 1992.

Os advogados do trio apresentaram ontem, segunda-feira (6), ao TJPR (Tribunal de Justiça do Paraná) um laudo que atestaria a veracidade de gravações que apontam episódios de tortura dos então suspeitos durante a investigação para que eles confessassem o crime. O documento também apresenta um parecer psicopatológico que aponta que houve tortura.

Segundo o advogado Figueiredo Basto, as provas apresentadas durante o processo são ilícitas já que foram obtidas mediante tortura.

" O que nós esperamos agora do Poder Judiciário é efetivamente na leitura do laudo. Que alguém no tribunal estude o processo como ele tinha que ter sido estudado há muito tempo. Tenho certeza que o judiciário brasileiro vai acolher essa revisão criminal. É a prova irrecusável de que houve tortura, houve agressão", detalhou Basto.

Os áudios que mostram os acusados recebendo instruções para confessar os crimes se tornaram públicos no início do ano passado, durante o podcast Projeto Humanos, que retomou o caso e voltou a trazer visibilidade para a investigação. Após mais de 20 anos, Beatriz Abagge foi condenada a 21 anos de prisão.

Os pais de santo Osvaldo Marcineiro e Davi dos Santos Soares foram sentenciados a 20 e 18 anos, respectivamente. Os advogados pedem que Beatriz, Davi e Marcineiro sejam absolvidos, os processos sejam anulados e que uma indenização seja paga aos três.

"O dano moral que eles passaram durante trinta anos...prisão, afastamento da família,  humilhação, conviver com um estigma de bruxo e principalmente matador de criança. Não tem como você voltar de reparar isso, né? Não há dinheiro que vai pagar. Agora, o Estado tem o dever sim de dar a essas pessoas uma reparação justa, uma pensão inclusive, para que elas tenham pelo menos a possibilidade de tentar se refazer", finalizou o advogado.

O recurso protocolado pela defesa precisa ser analisado pelo Tribunal de Justiça do Paraná, que decide se acata ou nega o pedido. A reportagem tenta contato com a Secretaria Estadual de Segurança Pública, com a Polícia Militar e com o Ministério Público do Paraná e aguarda retorno.