Caso Tatiane Spitzner: interrogatório do réu dura 11 horas e decisão fica para segunda-feira

Jorge de Sousa

Caso Tatiane Spitzner: interrogatório do réu dura 11 horas e decisão fica para segunda-feira

O sexto dia do julgamento do assassinato da advogada Tatiane Spitzner foi todo dedicado ao interrogatório do réu Luiz Felipe Manvailer, que ficou mais de 11 horas em depoimento neste domingo (9).

Dessa forma, o julgamento foi mais uma vez paralisado sem uma decisão final do júri e deve ser retomado ao meio-dia desta segunda-feira (10), para o início da fase de debates entre os advogados de defesa e assistentes de acusação.

Manvailer começou o interrogatório por volta das 13h50 desse domingo no Fórum de Guarapuava e se recusou a responder os questionamentos dos procuradores do Ministério Público e dos advogados da família de Tatiane Spitzner.

Antes de responder os questionamentos do juiz e dos advogados de defesa, Manvailer pediu a palavra para se dirigir a família de Tatiane Spitzner e se desculpar.

“Primeiramente, antes de começar a responder, eu gostaria de primeiro pedir perdão à família da Tatiane por todas as agressões que eu cometi. Eu não matei a Tatiane, gostaria de pedir perdão pelo mesmo motivo para minha família, eles sabem que não sou assim, e à todas as mulheres do Brasil, pedir perdão por isso. Eu não matei Tatiane”, disse o réu.

MANVAILER RELATA CIÚMES E TROCA DE AGRESSÕES COM ESPOSA

No depoimento, Manvailer explicou que no dia da morte da esposa eles saíram para comemorar o aniversário do réu em um bar de Guarapuava e se desentenderam em diversos momentos da celebração, devido ao ciúmes de Tatiane.

“Estava tudo bem, a gente estava interagindo, tínhamos tirado foto. Ela saiu muito brava, saiu bufando. Foi dançar com as amigas, foi de novo melhorando, eu recebi a mensagem. Toda vez que eu via isso, que ela via, ela vinha do meu lado: ‘o que você está mexendo no celular? O que tanto você mexe no celular? Com quem você está conversando, aquelas vagabundas, tuas amantes?’ e novamente foi piorando a situação”, apontou Manvailer.

O réu prosseguiu no depoimento e relatou que saiu de carro com a esposa do bar e que as brigas continuaram no carro, ainda motivadas por ciúmes de Tatiane.

“Assim ó, nós entramos no carro, já estava um clima ruim, clima péssimo. Eu sempre pegava o celular e colocava no meio da perna, dirigia assim. Nisso que tirei pra ver as horas Tatiane voou, ela voou pra pegar o celular. Nisso que ela voou para pegar o celular, o carro saiu do rumo. Aquilo me deixou extremante puto da vida, muito nervoso, a gente podia ter batido o carro por uma bobeira, um ciúmes que não tem explicação”, continuou o réu.

Manvailer explicou que ao chegarem no apartamento foi impedido de sair pela esposa e que após intensa discussão, ambos trocaram agressões no elevador até a entrada da residência.

“Se jogou no chão, a hora que a gente tá subindo, aí ‘porra, você não quer subir?’. Aí fui atrás dela e falei, ‘porra, agora vamos subir, conseguiu o que você queria’. Aconteceram todas aquelas brigas no elevador, peguei ela pelo pescoço, ela tentou ir embora acho que no térreo, falei ‘não agora você volta aqui, nós dois vamos lá pra cima. Lembro que se batia, aí eu segurava ela”, recordou Manvailer.

A discussão prosseguiu dentro do apartamento e Manvailer colocou que após mais trocas de agressões, a esposa teria ido duas vezes para o parapeito na sacada, sendo que na segunda teria se jogado.

“Em nenhum momento queria, a briga sofreu uma escalada enorme, uma coisa assim impossível de ser imaginada. Eu saí atrás dela pra pegar ela de lá, puxar para dentro, e indo em direção, indo em direção. Naquele momento, já estava tudo transtornado, o tempo parava, estava indo em direção a ela. Quando estava chegando perto da sacada, eu vi que a mão dela não estava ali, eu ouvi ela caindo, ouvi o grito dela”, analisou o réu.

Manvailer então buscou justificar o porque de ter recolhido o corpo da esposa do térreo do prédio e de ter limpado o sangue de Tatiane em diversos locais do prédio

“Lembro mais ou menos que eu entrei, deixei ela lá, andava pra lá e pra cá, daí eu vi minha mão suja de sangue, daí quando eu vi que estava com o braço cheio de sangue, mancha de sangue de tê-la carregado, estava completamente apavorado, completamente desnorteado. Lembro que tirei a camiseta, acho que fui até o banheiro pra me livrar do sangue”, declarou Manvailer.

Por fim, o réu negou que planejava fugir para o Paraguai e que apenas dirigiu ‘sem rumo’ do apartamento, batendo o carro ao tentar ultrapassar uma carreta.

“De jeito nenhum, não conheço ninguém em Foz, em Cascavel, não tinha dinheiro suficiente para fugir pro Paraguai, nem conheço ninguém no Paraguai, nem sei se tinha documento no ocorrido”, concluiu o réu.

COMO MORREU TATIANE SPITZNER

Tatiane Spitzner foi encontrada morta 22 em julho de 2018, depois de cair do quarto andar do prédio em que morava com Luiz Felipe Manvailer, em Guarapuava, na região central do Paraná. Imagens de câmeras do edifício mostram o casal brigando e Tatiane sendo agredida pelo marido, quando os dois voltavam para casa depois de uma comemoração do aniversário dele em um restaurante da cidade.

Após a morte da mulher, Manvailer fugiu e foi pego pela polícia viajando de carro em direção à fronteira com o Paraguai. Ele nega o crime.  Diz que a mulher caiu durante a discussão. O IML, porém, chegou a emitir um laudo em que afirma que ela morreu por esganadura antes de cair do prédio.

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